Fãs do tradicional grupo de axé baiano Chiclete com Banana tratam a saída do vocalista Bell Marques do grupo na terça-feira de Carnaval como o "dia mais triste" de suas vidas. Seguindo a banda na turnê de despedida do cantor de norte a sul do Brasil, eles dizem que se sentem "órfãos", já que colecionaram histórias, amigos e abadás em seus anos de chicleteiros.
E para participar destas últimas homenagens ao grupo original esses fãs não poupam gastor que atingem até R$20 mil no Carnaval de Salvador.
Thiago Matere, presidente do fã-clube paulistano "Invasão Laranja", recebeu a notícia de que Bell Marques iria sair do Chiclete com Banana como uma bomba em Setembro do ano passado. Mesmo dizendo que já era previsível, o empresário afirma que custou a acreditar na notícia.
A paulistana Adriana Dollores tem 23 anos e também é da turma do bate-volta. Ela vai trabalhar no Carnaval, mas conseguiu uma brecha para viajar até Salvador. Na terça-feira, a chicleteira também estará no circuito Campo Grande.
"É uma emoção tão grande. Vai ser o melhor dia da minha vida, porque quando você entra na avenida é uma emoção sem tamanho. Campo Grande vai virar um mar de lágrimas", garante Adriana. que gastou quase R$ 3 mil para a despedida.
"Há oito anos, eu diria que nunca iria acabar o Chiclete com Banana porque o Bell e os irmãos eram sócios, uma família. Mas, de um tempo para cá, conheço muita gente no axé e no Chiclete com Banana e acabei tendo umas informações. Eu sabia que isso iria acontecer em algum momento", explica ele, que segue a banda há mais de dez anos e já foi há oito Carnavais baianos.
"Você pensa que foram tantos anos se dedicando e, do nada, isso acaba. Fiquei angustiado porque eu respiro e vivo o axé. Meu mundo é o axé. Meus amigos são axezeiros", diz Jow, que tem mais de três mil abadás em sua bagagem de chicleteiro. Para ele, o Chiclete com Banana nunca será o mesmo e acredita que é o fim de um ciclo no movimento axé. "Eu vou seguir o axé, mas as pessoas tendem a seguir o Bell porque ele é muito carismático", afirma.
Para ser um “chicleteiro” não é preciso apenas ser fã da banda em termos, é preciso ter grana na mão. Um abadá para seguir o bloco "Camaleão" na última apresentação da banda, na terça-feira de Carnaval , já está esgotado no site oficial Central do Carnaval. Custava R$ 1490, o equivalente a pouco mais de dois salários mínimos.
O fã da banda, Jow Jows, conta por exemplo que seu gasto por carnaval para acompanhar o grupo de axé sai em média entre R$15 a R$20 mil por Carnaval. E brinca sobre: “A minha ostentação é de abadá".
Outr fã fervoroso do Chiclete, Stephan viu na banda uma forma de ganhar dinheiro. Em 2006, ele decidiu fundar o site "Juca Na Balada" para fotografar as micaretas em que Bell Marques e o grupo se apresentavam. Logo depois, pensou em reunir a galera e fazer excursões. Ideia que não parou de crescer.
"Pensei: 'se o que eu mais gosto de fazer é viajar atrás da banda e tem muita demanda para isso, vou começar a realizar essas excursões para outras pessoas que não sejam meus amigos'. Me profissionalizei. Foi quando eu abri escritório, contratei gente, o guia era contratado e não era mais eu", explica ele,que hoje tem como sócio Thiago Matere, em outra empresa que faz vendas somente de Carnaval, a Salvador Store.
De acordo com Stephan, a demanda por axé atualmente diminuiu, já que, principalmente, no sudeste as micaretas escassearam com a entrada maciça do sertanejo. Bell Marques deixará a banda para seguir carreira solo e pegou de surpresa muitos fãs.

