Dominguinhos, o rei do baião, deixou saudosos os fãs e as sanfonas desde que faleceu no dia 23 de junho do ano passado, um dia antes da data comemorativa católica e junina correspondente ao dia de São João. Em sua homenagem um documentário de pouco menos de 1 hora foi feito para trazer ao público um conhecimento maior sobre a carreira deste grande ícone da música brasileira e nordestina.
Neste, as canções foram revividas pelo público que teve a oportunidade de escutar novamente a sanfona famosa, que encantava com a sensibilidade contagiante das canções do cantor. Este documentário foi exibido na última edição do festival “É Tudo Verdade”.
A obra conta com a codireção do montador e diretor de vídeos de peças teatrais Joaquim Castro, do pianista e compositor Eduardo Nazarian e da cantora Mariana Aydar. Juntos, o trio montou um curta sensorial, indo além de arquivos e depoimentos, para passar ao público um retrato ímpar da vida do sanfoneiro. Eles conseguem, logo no início do documentário, levar o espectador ao aconchego do sertão em um show de sons sertanejos e narrativas, quase cronológicas, da vida de Dominguinhos.
O filme é focado na história do cantor, contada por ele mesmo através de depoimentos dados pelo próprio para a equipe do longa ou para programas de TV, especialmente o canal Cultura, que é coprodutora do curta. Várias imagens de arquivo são utilizadas para ilustrar a vida de José Domingos de Morais; migrantes nordestinos partindo em caminhões pau de arara; o Rio de Janeiro dos anos 1960 e 1970; os protestos durante a ditadura militar, entre outras coisas.
Apresentações raras e inusitadas do músico são o grande trunfo do documentário, como por exemplo, o ensaio intimista de Nana Caymmi chorando ao cantar com ele “Contrato de Separação”. Vídeos de duetos entre ele e outros grandes cantores da MPB, como Djavan, Hermeto Pascoal, Hamilton de Holanda e Yamandu Costa, foram apresentados ao público. As parcerias com Gal Costa, Elba Ramalho e Gilberto Gil também foram registradas e executadas no filme.
A relação profissional e pessoal com seu padrinho musical, o rei do baião, Luiz Gonzaga, de quem herdou a missão de eternizar a sanfona na música brasileira, e a compositora e cantora Anastácia, com quem manteve um relacionamento, é contada no documentário.
Talvez seja o mais próximo que o público chegue da vida pessoal de Dominguinhos no documentário, pois o mesmo dá mais enfoque ao lado musical do artista.
Com carreira extensa e preenchida de boas músicas e uma grande contribuição não apenas para a música nordestina mas também para a música brasileira, os 48 minutos de exibição se tornaram pouco perto do que Dominguinhos representou, porém encaixam os momentos principais do músico
Este documentário traz também uma visão solitária e um tanto quanto melancólica do cantor que era superada pela sua arte, assim como muitos músicos a utilizam da mesma forma para superar tal. Dominguinhos fala sobre sua família e a sua solidão, emocionando mais ainda com suas lágrimas ao tocar com a Orquestra Jazz Sinfônica um arranjo especial para a música “De Volta Pro Meu Aconchego”.
Assista a um teaser do documentário que foi exibido no festival "É Tudo Verdade":

