Alan Turing é uma das figuras do século passado mais emblemáticas que alguém pode pensar, e com estreia marcada para a próxima quinta-feira (5), "O Jogo da Imitação", estrelado por Benedict Cumberbatch, conta a história deste gênio que deu início ao que hoje é um dos motivos do grande desenvolvimento tecnológico na sociedade: a ciência da computação.
Com oito indicações ao Oscar, o longa promete empolgar o público com uma cativante história, envolvendo conflitos em meio à Segunda Guerra Mundial, homossexualismo, e vários outros pontos.
A fase final de sua vida é a que menos aparece no roteiro de Graham Moore (adaptado do livro de Andrew Hodges). Na década de 1950, Turing foi submetido a um tratamento médico que visava a recolocá-lo no prumo da "normalidade". Trabalhava em silêncio, em casa, numa geringonça que criara anos antes para decifrar o sistema codificado Enigma, que os nazistas usavam para se comunicar via rádio – o que se revelou fundamental para derrotar Hitler. Era, a tal geringonça, um protótipo do que seriam os computadores modernos.
Moore e o diretor Tyldum, que é norueguês e se destacou com o ótimoHeadhunters (2011), estão mais interessados na operação militar dos aliados, que bancaram a pesquisa de Turing apesar de sua inabilidade política e de relacionamento. Cientista interessado em matemática, lógica e palavras cruzadas, ele era um Sheldon Cooper (de Big Bang Theory) de seu tempo, inclusive pela compleição física esguia.
Com habilidade, os autores usaram sua relação com uma colega à época da II Guerra (Keira Knightley) para escancarar como ele próprio lidava com sua condição homossexual — com dificuldades para demonstrá-la, mais do que aceitá-la. Tivessem focado em seus casos fugazes dos anos seguintes, teriam feito um filme mais quente e menos calculista — o que não é necessariamente um problema, dada a riqueza das informações dispostas em O Jogo da Imitação, além de seu rigor cênico.
O que é careta é a narrativa estruturada em longos flashbacks. Você certamente já viu esse tipo de longa antes, ainda mais em tempo de Oscar. É uma pena, em se tratando de uma trajetória tão singular.
Fonte: Zero Hora

