Kleber Mendonça Filho anunciou em suas contas no Twitter e Instagram que o primeiro lote dos DVDs oficiais de "Bacurau" esgotou, e para apoiar o público a consumir o produto, mesmo sem encontrar nas prateleiras licenciadas, o diretor postou duas fotos segurando uma versão pirata do filme em um camelô, e com bom humor, também fez seus comentários sobre a capa e contracapa, além de dizer que o "piratex" está vendendo bem.
É notório perceber as prioridades do cineasta com seu novo sucesso, que vão além da obtenção direta de royalties e, de certa forma, podem ir até contra alguns termos de contrato envolvendo os direitos de distribuição do filme. Kleber Mendonça Filho afirma que "Bacurau" tem um intuito, com uma série de mensagens e de questionamentos importantes para o nosso momento global, sobretudo no que diz respeito às conjunturas políticas atuais, a cada dia mais sedentas por segregação e padronização da sociedade.
DVD oficial esgotando 1a tiragem de 3 mil cópias nas lojas e o piratex vendendo bem também no camelô. E que capa louca é essa? ✌? pic.twitter.com/opq3KKHz1e
— Kleber Mendonça Filho (@kmendoncafilho) January 9, 2020
Questionado por um usuário sobre o que acha a respeito da venda dos produtos piratas, Kléber foi enfático ao demonstrar que o que importa mesmo é que todos estão assistindo ao filme. "Hoje teve fila no centro do recife p/ ver Bacurau, DVD oficial esgotado, piratex vendendo, o filme estreia nos eua e Inglaterra, tá passando na Argentina, esse mês na Suécia e Holanda. As pessoas estão vendo Bacurau e somos uns sortudos", disse o diretor.
"Bacurau" retrata um cenário absurdo de exclusão, com a pequena cidade, que dá título ao filme, apagada do mapa, e servindo como zona de caça para turistas. Apesar de muitas pessoas apontarem a narrativa como um retrato da nossa atualidade, é válido darmos um salto maior, para o futuro. O filme cria laços simbólicos para o que estaria por vir em nosso mundo, e não tem medo de inserir personagens estrangeiros como caçadores cruéis, que matam crianças em troca de pontos, ao mesmo tempo em que insere um político local odiado e debochado por todos na pequena cidade, que se isola, possui o próprio forte armado, e onde todos se conhecem e se comunicam, ainda, através de um grupo no "Whatsapp".

