São Paulo: Prefeitura recebe depósito de R$ 34 milhões confiscado de Maluf

'A família Maluf movimentou em Jersey cerca de US$ 230 milhões. Ainda falta muito dinheiro', disse Silvio Antonio Marques, promotor de Justiça da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da Capital
'A família Maluf movimentou em Jersey cerca de US$ 230 milhões. Ainda falta muito dinheiro', disse Silvio Antonio Marques, promotor de Justiça da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da Capital
PorCarol Souza08/02/2020 17h46

Nesta última semana a Prefeitura de São Paulo recebeu um alto valor em depósito correspondente à confisco, mas não qualquer confisco. O depósito, no valor de depósito de R$ 34,944 milhões, foi recebido diretamente da Ilha de Jersey, no Reino Unido, e é proveniente de contas atribuídas ao ex-prefeito Paulo Maluf, que governou entre os anos de 1993 e 1996.

Conforme divulgado, este valor faria parte de um montante de R$ 344 milhões, desviados dos cofres públicos por Maluf durante sua gestão. Aos hoje 88 anos, o ex-prefeito cumpre pena de 7 anos, 9 meses e 10 dias por lavagem de dinheiro em regime domiciliar.

Silvio Antonio Marques, promotor de Justiça da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da Capital revelou que os R$ 34,944 milhões são apenas parte de um total superior a US$ 200 milhões "que ainda têm que ser repatriados" de Jersey. "A família Maluf movimentou em Jersey cerca de US$ 230 milhões. Ainda falta muito dinheiro", disse ele.

Conforme informações provenientes das investigações, os R$ 34,944 milhões estavam estocados em uma conta da offshore Macdoel Investment Limited, da qual Maluf era o verdadeiro controlador, além de outras duas offshores - Kildare e Durant International - que também foram usadas para manter em Jersey, um paraíso fiscal, recursos desviados do erário paulistano.

Conforme as investigações seguiram, o "caminho do dinheiro" foi revelado. Foi apurado que os valores desviados de obras milionárias em São Paulo foram primeiramente enviados para os Estados Unidos e Suíça, depois passaram pela Inglaterra para só assim chegar até Jersey. Uma parcela menor foi para a França e outra para Luxemburgo.

Marques destaca ainda que entre 1996 e 1997, US$ 92 milhões foram repatriados por Maluf para investimentos na empresa da família, a Eucatex. Conforme avaliação da Promotoria, os bens da família Maluf e da Eucatex "não serão suficientes para pagar todas as despesas de condenação pelo prejuízo de R$ 344 milhões aos cofres públicos".

Apesar da condenação, Maluf sempre negou os desvios em sua administração, afirmando piamente que nunca manteve contas no paraíso fiscal de Jersey.

Comentários

Sobre o autorCarol Souza
Amante do cinema, dos livros e apaixonadíssima pelo bom e velho rock n'roll. Amo escrever e escrevo sobre o que amo. Ativista da causa feminista e bebedora de café profissional. Instagram: @barbooosa.carol