Homem negro é espancado até a morte por PM e segurança de supermercado em Porto Alegre

João Freitas foi homenageado pela torcida organizada 'Os Farrapos', da qual fazia parte
João Freitas foi homenageado pela torcida organizada 'Os Farrapos', da qual fazia parte
PorMarcos Henderson20/11/2020 14h52

João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, foi espancado até a morte por um segurança e por um PM temporário fora de serviço no supermercado Carrefour, na zona Norte de Porto Alegre, na noite da última quinta-feira (19), véspera da celebração do Dia da Consciência Negra no Brasil. 

A confusão teria sido ocasionada após uma discussão entre Freitas e a operadora do caixa que o atendeu no estabelecimento. Freitas foi levado pelo segurança até o estacionamento localizado no andar inferior, onde o policial militar temporário, que estava ali apenas como cliente, se apresentou para auxiliar no deslocamento. 

Segundo relato de uma funcionária do supermercado, Freitas teria desferido um golpe contra o PM, desencadeando um tumulto maior que terminou com o espancamento de Freitas. "Eles chegaram a subir em cima do corpo dele, colocaram perna no pescoço ou no tórax", afirmou o delegado Leandro Bodoia. Os agressores foram presos, suspeitos de homicídio doloso, quando há a intenção de matar.

Alguns vídeos filmados por pessoas que passavam pelo local mostram trechos da violência, que rapidamente levantou novas discussões sobre o racismo, com resgates aos casos que geraram inúmeros protestos ao longo do ano, a exemplo das mortes de George Floyd, Ahmaud Arbery e Breonna Taylor nos Estados Unidos, e do caso João Pedro, baleado durante uma operação policial em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. 

Quando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) chegou ao local, as ações de ressureição dos funcionários já não surtiram efeito, e Freitas não resistiu aos ferimentos. Agora, a polícia aguarda os resultados do laudo pericial para descobrir a causa principal da morte da vítima, o que poderá auxiliar diretamente na acusação formal de homicídio para o PM e o segurança do estabelecimento, já que a defesa dos agressores pode se beneficiar de uma possível causa atrelada a um ataque cardíaco ou outro problema que não esteja diretamente conectado aos golpes. 

A investigação segue com a 2ª DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa).

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Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson