Faltando poucas semanas para o início da Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, México e Canadá, os torcedores enfrentam um cenário financeiro inédito. O torneio já é considerado o mais caro da história, impulsionado por uma nova política comercial da organização esportiva.
Sistema de Preço Dinâmico
A principal mudança adotada na edição atual, que conta de forma inédita com 48 seleções, é o uso do sistema dinâmico de preços na venda de ingressos. Isso significa que os valores flutuam de acordo com a demanda: quanto maior o interesse por uma partida, mais caro o bilhete.
Os ingressos variam, inicialmente, entre US$ 100 e US$ 6.370 (cerca de R$ 541 a R$ 34,5 mil na cotação atual).
Partidas da fase de grupos sofreram aumentos drásticos; o ingresso mais barato para o jogo entre Espanha e Uruguai saltou do equivalente a R$ 600 para R$ 1.575.
Para assistir à grande final, o bilhete mais acessível custa na faixa de R$ 21 mil, podendo chegar a cerca de R$ 55 mil nas categorias tradicionais e ultrapassar a marca de R$ 160 mil em setores premium.
Um torcedor que deseje acompanhar sua equipe desde a fase inicial até a final precisará desembolsar cerca de R$ 19,7 mil na categoria mais econômica, o valor ultrapassa R$ 70 mil nos setores mais caros. O aumento nos preços chega a superar 1000% em comparação com a Copa do Mundo de 2022, disputada no Catar. Com essa estratégia, estima-se que a arrecadação com bilheteria atinja o recorde de US$ 3 bilhões. A organização afirma que o modelo segue o padrão do mercado norte-americano e que 90% da receita será reinvestida no desenvolvimento do futebol global.
Inflação Além das Arquibancadas
Os custos elevados não se limitam às entradas dos estádios. O transporte público também apresenta valores inflacionados para quem deseja acompanhar o Mundial de perto.
Na região de Nova York, o trajeto de trem entre o centro da cidade e o principal estádio da Copa do Mundo, que receberá oito jogos (incluindo a estreia do Brasil e a grande final), costumava custar em torno de R$ 64 para ida e volta. Durante a competição, a mesma viagem custará oito vezes mais: cerca de US$ 105, o equivalente a R$ 525.
Apesar da possibilidade de utilizar ônibus especiais por valores em torno de R$ 100, há um limite restrito de apenas 18 mil passagens disponíveis por jogo nesse serviço, forçando muitos torcedores a arcarem com os altos custos do trem.
Fica evidente que o acesso ao maior torneio do mundo se transformou em uma experiência de altíssimo custo.
