Hoje, 24 de junho, marca o início da terceira e última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. Os torcedores que acompanham o torneio notarão um padrão adotado em todas as chaves: as duas partidas decisivas de um mesmo grupo são disputadas exatamente no mesmo horário. Um exemplo prático ocorre nesta quarta-feira, com as seleções do Brasil e de Marrocos jogando simultaneamente às 19h (horário de Brasília) contra Escócia e Haiti, respectivamente, pelo Grupo C.
O motivo por trás dos horários simultâneos
A explicação para essa organização de calendário é simples: justiça esportiva e integridade da competição. A determinação da entidade existe para evitar que as equipes entrem em campo sabendo exatamente de qual resultado precisam para se classificar e, consequentemente, combinem placares que beneficiem ambas.
Quando as partidas acontecem em horários diferentes, uma equipe que joga mais tarde já entra com a vantagem de calcular matematicamente o escore necessário para avançar ou até mesmo para escolher um adversário teoricamente mais fácil no mata-mata. A simultaneidade obriga todas as seleções a buscarem o melhor resultado possível, garantindo o espetáculo e o fair play.
O fantasma da "Vergonha de Gijón"
A regra de unificar os horários na última rodada não existe desde a primeira edição do torneio. Ela foi implementada após um dos episódios mais controversos da história do esporte, ocorrido na Copa do Mundo de 1982, na Espanha.
O caso ficou mundialmente conhecido como a "Vergonha de Gijón". Na última rodada do grupo, Alemanha Ocidental e Áustria sabiam que uma vitória alemã por 1 a 0 ou 2 a 0 classificaria ambas as nações europeias para a próxima fase, eliminando a Argélia, que já havia jogado e vencido sua última partida.
Após a Alemanha abrir o placar logo aos 10 minutos de jogo, as duas equipes praticamente abdicaram de atacar, trocando passes inofensivos até o apito final. A postura revoltou o público, telespectadores e a delegação argelina. Para evitar que esse cenário se repetisse, a regra dos jogos simultâneos passou a valer a partir da Copa de 1986.
Integridade no novo formato
Na edição de 2026, com a expansão para 48 seleções, a manutenção dessa regra se mostra ainda mais fundamental. Como os dois primeiros de cada chave e os oito melhores terceiros colocados avançam, a matemática da classificação tornou-se mais complexa e suscetível a acordos táticos.
A simultaneidade traz benefícios claros para o torneio:
Garantia de esforço máximo: Sem conhecer o resultado do adversário direto, as equipes precisam focar em vencer.
Emoção até o último minuto: Um único gol em um estádio pode alterar instantaneamente o futuro de uma seleção que joga a quilômetros de distância.
Prevenção de conluios: Protege o esporte de escândalos e atitudes antidesportivas.
Ao acompanhar os desfechos dramáticos desta terceira rodada, saiba que a bola rolando ao mesmo tempo é o mecanismo mais eficaz para garantir que o mérito esportivo prevaleça.


