A classificação da República Democrática do Congo (RD Congo) para a Copa do Mundo de 2026 fez muita gente se perguntar: afinal, existe mais de um Congo? A resposta é sim. Embora sejam países vizinhos e compartilhem parte da história, República do Congo e República Democrática do Congo são nações diferentes, com tamanhos, populações e trajetórias distintas.
A República Democrática do Congo, cuja capital é Kinshasa, é o segundo maior país da África, com mais de 115 milhões de habitantes. Antiga colônia da Bélgica, chegou a ser chamada de Zaire entre 1971 e 1997. Já a República do Congo, de capital Brazzaville, é bem menor, tem cerca de 6 milhões de habitantes e foi colonizada pela França. Curiosamente, Kinshasa e Brazzaville são as duas capitais nacionais mais próximas do mundo, separadas apenas pelo Rio Congo.
A única participação da RD Congo em Copas do Mundo havia sido em 1974, ainda sob o nome de Zaire. Naquele Mundial, disputado na Alemanha Ocidental, a seleção perdeu os três jogos da fase de grupos, incluindo uma derrota por 3 a 0 para o Brasil, com gols de Jairzinho, Rivellino e Valdomiro. Apesar da campanha sem pontos, aquela equipe entrou para a história como a primeira representante da África Subsaariana em uma Copa do Mundo.
O retorno ao maior torneio do futebol aconteceu 52 anos depois. A seleção garantiu vaga após uma campanha consistente nas Eliminatórias Africanas e confirmou a classificação ao superar a repescagem continental, voltando a colocar o país entre as principais forças do futebol africano.
Na Copa de 2026, a RD Congo surpreendeu ao avançar ao mata-mata como uma das melhores terceiras colocadas. Depois de empatar com Portugal, perder para a Colômbia e vencer o Uzbequistão na última rodada da fase de grupos, os congoleses conquistaram uma vaga inédita nas fases eliminatórias do Mundial.
Grande parte da força da equipe está em jogadores que atuam nas principais ligas da Europa. O capitão Chancel Mbemba, zagueiro do Lille, lidera o sistema defensivo. No ataque, o destaque é Yoane Wissa, do Newcastle, um dos artilheiros da seleção na Copa. Outro nome conhecido é o lateral Aaron Wan-Bissaka, do West Ham, que optou por defender a RD Congo após atuar pelas seleções de base da Inglaterra.
A presença de atletas experientes que brilham no futebol europeu ajudou a transformar a seleção em uma das surpresas da Copa do Mundo de 2026. Mais do que um retorno histórico, a campanha também colocou a República Democrática do Congo novamente no mapa do futebol mundial.
