O filme "Deux jours, une nuit" (Dois dias, uma noite), crônica social, foi bastante elogiado durante o Festival de Cannes. Travando um embate entre a solidariedade e o individualismo, o longa dos irmãos Dardenne trazem a francesa Marion Cotillard, operária do subúrbio de Liege em um papel envolvente e comovente.
Aplaudido pelo púlico presente, surgiu entre os críticosa menção de que o longa tem a possibilidade de faturar a terceira Palma de Ouro para os diretores belgas, ou ainda um prêmio de interpretação feminina.
A história do longa-metragem conta a luta de Sandra (Marion Cotillard), estimulada pelo marido (Fabrizio Rongione), que tem apenas um fim de semana para bater de porta em porta e implorar aos seus colegas de trabalho que abram mão de um bônus de 1.000 euros, o que salvaria seu emprego. Na sexta-feira, os funcionários votam a favor do bônus, mas graças ao apoio de uma colega uma nova votação é programada para a segunda-feira seguinte.
O enredo é baseado em "diversas situações similares" que ocorreram a grandes empresas na década de 90, como por exemplo a Peugeut. O "cinismo contemporâneo" é citado por um dos irmãos, referindo-se a diretoria que invoca a crise como justificativa, com o discurso de "só posso contratar esta pessoa caso vocês sejam solidários".
Este cinismo é ainda menos justificado porque Sandra não se trata de uma ativista, e sim uma mulher depressiva que sai de licença médica, e apenas perdeu a confiança em si assim como nos demais. "Vou parecer uma mendiga", afirma a protagonista ao marido para explicar porque não deseja tentar convencer os colegas. Mas aos poucos, ela se transforma em uma "mulher que deixa de ter medo", segundo Luc Dardenne.
Já o outro irmão destaca o papel do marido da protagonista na mudança provocada nela, realçando que são pessoas humildes: "Felizmente para a personagem e pela primeira vez em nossa família de personagens, a heroína tem um marido que é um homem formidável e eles levam uma vida normal. Não estão ameaçados de expulsão, são apenas pessoas humildes ", completa Jean-Pierre Dardenne.
Com informações da Reuters.

