Para quem disse que a boa audiência de Êta Mundo Bom registrada no capítulo de estreia seria diminuída com o passar das exibições seguintes, se enganou, já que a novela de Walcyr Carrasco ainda está se mantendo com valores bem altos, de acordo com os registros oficiais do Ibope. Foram seis capítulos até o momento, e nesta primeira semana a média foi de 24 pontos, bem acima dos 19 que a emissora esta registrando no mês passado, com Além do Tempo. No Rio de Janeiro, os valores são ainda mais altos, com uma média de 27 pontos.
Os valores apresentados acima simbolizam uma vantagem que não era vista neste horário desde 2010, quando a grade das 18h era comandada por "Escrito nas Estrelas", de Elizabeth Jhin. Com isso, pode-se afirmar que o folhetim estrelado por Débora Nascimento e Sérgio Guizé, contando também com o papel coadjuvante da bela Camila Queiroz, em alta no país, graças à atuação sensual em Verdades Secretas, pode significar o primeiro grande triunfo de 2016 para a Globo, que ainda está criando grande expectativa com o futuro lançamento de Velho Chico, substituta de A Regra do Jogo na faixa das 21h, sem contar a próxima novela das 23h, "Liberdade, Liberdade", e a minissérie "Nada Será Como Antes", estrelada por Débora Falabella e Murilo Benício, mas com boa parte dos olhares voltados para Bruna Marquezine, vivendo Beatriz, uma dançarina sensual e ninfomaníaca.
O golpe da emissora foi certeiro com a nova trama das 18h, ainda mais com a escolha de Walcyr Carrasco para comandar a autoria dos acontecimentos fictícios, já que ele já havia conquistado um grande prestígio com produções de propostas similares, como "Alma Gêmea", "Chocolate com Pimenta" e "O Cravo e a Rosa", exibidas em 2005, 2003 e 2000, respectivamente, em ordem decrescente.
Todas estas novelas prendiam o público na telinha por motivos bem óbvios: a presença de uma carga romântica acentuada, aliada a uma ambientação caipira e cheia de sotaques carregados. Isso deixa o telespectador mais à vontade, mesmo com uma trama pesada e cheia de tensão. A forma de falar acaba gerando um conforto extra, uma maneira mais simples de lidar com a história, que conta com personagens carismáticos, a exemplo de Candinho (Sérgio Guizé), que conquistou o público rapidamente, com seu jeito descontraído e humilde, fazendo um cruzamento muito bem guiado com sua personalidade romântica que une o personagem a Filomena (Débora Nascimento).
Outro fator muito importante de se colocar na análise da boa audiência é a objetividade escolhida pelo autor para contextualizar todos os acontecimentos que geram o motivo principal da trama. A primeira semana de exibição conseguiu apresentar muito bem a história de Anastácia (Eliane Giardini) e a forma cruel com a qual roubaram-lhe o próprio filho, quando ainda era interpretada por Nathalia Dill. Isso já foi o suficiente para deixar o público bem ciente de uma das principais jornadas da trama: a busca da viúva pelo filho perdido, ao mesmo tempo em que Sandra (Flávia Alessandra), sua sobrinha, vai fazer de tudo para impedir esse encontro, por interesses financeiros bem ambiciosos.
Portanto, já podemos dizer que Walcyr Carrasco acertou mais uma vez, usando de maneira inteligente a experiência em folhetins do gênero, em um período centrado na primeira metade do século passado, abusando do carisma dos personagens, da ingenuidade de alguns e da canalhice de outros, fazendo de uma história simples uma produção de sucesso.

