A Regra do Jogo está preste a alcançar seu último capítulo, a trama de João Emanuel Carneiro está sendo exibida desde 31 de agosto de 2015, e agora com pouco mais de seis meses no ar será encerrada, mas não como o grande sucesso que prometera ser e sim como um folhetim mediano com seus altos e principalmente baixos. Nessa quinta-feira, 10 de março, Maurício Stycer publicou em seu blog, no UOL, um vídeo onde fez o balanço da novela global, destacando os pontos fortes e fracos.
Não se pode negar que Carneiro é um autor de renome na teledramaturgia brasileira, ele possui um currículo impecável onde é possível encontrar novelas de sucesso, entre elas a aclamada Avenida Brasil, com sua inesquecível vilã Carmem Lúcia ou Carminha para os íntimos, que se tornou uma das maiores antagonistas já vistas nos folhetins das nossas terras tupiniquins. Por conta desse estrondoso sucesso, se criou muita expectativa em relação ao seu mais novo trabalho, expectativa essa que não correspondeu à altura do brilhantismo já demonstrado pelo roteirista.
A história, que propôs apresentar uma trama policial, segundo o bloqueio deixou a desejar ou em suas próprias palavras: “Ficou devendo”. No vídeo, onde é feita a análise, fica evidente o descontentamento com grande parte da obra. Maurício afirma que A Regra do Jogo teve seu lado bom, mas que no geral não deu para o gasto, pois muitos crimes ficaram esquecidos e algumas situações mal explicadas.
Para ele, “o personagem mais importante da trama policial, o Dante, vivido muito bem por Marcos Pigossi, era burro demais”, o que não teria colaborado na trajetória da história a deixando deveras monótona. É compreensível que o personagem devesse demorar um pouco para descobrir toda a verdade sobre a facção, caso contrário a novela findaria rápido demais, mas deixa-lo totalmente tapado às falcatruas que estavam ocorrendo bem debaixo do seu nariz foi um pouco demais, ou como Stycer disse em seu vídeo “ficou cansativo ver um policial tão cretino em ação”.
Ainda segundo a opinião do blogueiro e acredito de muitas outras pessoas também, houve na obra de João Emanuel um excesso de personagens mal construídos, entre eles Adisabeba, interpreta por Suzana Vieira. Ela “foi anunciada como a dona do morro da macaca, mas acabou vivendo situações patéticas que não combinam com uma dona do morro”, afirmou Maurício. Outra personagem que teria deixado a desejar foi Atena, a golpista vivida pela talentosa Giovanna Antonelli. “Todo mundo esperava que a Atena... seria a grande vilã da novela, mas ela acabou vivendo uma mulher apaixonada de coração abalado”, disse Stycer no blog, para ele a trajetória da estelionatária foi uma decepção.
Outro ponto lembrado no vídeo foi a existência de vários personagens que lembravam os de Avenida Brasil, um dos melhores exemplos seria o do ator Juliano Cazarré, que interpretou Ardauto na trama anterior e agora Merlô, ambos com personalidades muito parecidas. Mais um ponto negativo para o folhetim atual seria as “várias tramas paralelas, mas sem nenhuma ligação com a trama principal”. O blogueiro cita o triangulo amoroso de César (Carmo Dalla Vecchia), Domingas (Maeve Jinkings) e Gisela (Larissa Bracher), que segundo ele é “sem pé nem cabeça”.
Mauricio diz que grandes atores da teledramaturgia brasileira tiveram suas atuações praticamente desperdiçadas, mas nem só coisas ruins foram apontadas na trama, que soube mostrar com maestria o fato do “crime está entranhado em todos os setores da sociedade”. A atuação de Alexandre Nero, como Romero Rômulo, foi dita como um grande destaque, pois o ator conseguiu segurar a onda como protagonista/antagonista. Tonico Pereira como Ascânio e José de Abreu como Gibson ou Pai, também foram citadas como destaques, na opinião do bloqueiro.

