A “marcha nupcial” sonda pelo apartamento de Tião Bezerra (José Mayer). Mas não há nem um convidado para venerar o vestido de Magnólia (Vera Holtz) nem partilhar da cerimônia que une em matrimônio os vilões de “A lei do amor”. A surpresa desagradável para a noiva faz parte da vingança do banqueiro, que se delicia com o momento.
— É o auge! Nem nos sonhos mais distantes aquele peão pobre pensou em ter o controle desta mulher da forma como está tendo. Ele está se divertindo — garante José Mayer, que ironiza: — Vingança é um prato que se come frio, não é o que dizem (risos)?
Claro que Magnólia fica arrasada com a situação. Afinal de contas, o casamento, segundo Vera Holtz, era o “momento fênix” da personagem.
— Seria, até a hora em que ela percebe que não tem ninguém na cerimônia, que aquilo ali é uma farsa trágica para satisfazer aos prazeres bizarros de Tião — constata a atriz.
Para não dizer que a sala está completamente vazia, as únicas testemunhas são a empregada, o porteiro, o juiz de paz e um quarteto de músicos. A suprema humilhação.
— Sabe aquela história de quanto maior a altura, pior o tombo? Essa é a questão de Tião. Ele incentiva a vaidade de Magnólia, massageia o ego dela, a autoestima, e depois humilha. Ela vai do auge ao chão, se despedaça — analisa Vera.
E degradar a mulher é o prato do dia do empresário.
— A pior humilhação é a estratégia que Tião denomina como “morder e assoprar”. Você nunca sabe qual a próxima armação dele... — afirma Mayer, que não vê o vilão recuar de seu propósito maquiavélico nem mesmo ao ser esfaqueado por Magnólia: — Jamais! É um jogo entre dois leões. É cobra comendo cobra! Tudo na maior estica.
O casamento de Tião e Magnólia, que vai ao ar a partir de amanhã, pode não ter saído do jeito que a noiva esperava. Mas a produção caprichou de verdade para realizar o evento. O vestido da noiva, idealizado pela figurinista Gogoia Sampaio, foi feito com zibeline champanhe rosê e com detalhes em canutilhos no mesmo tom. Foram usados quase cinco metros de tecido.
Para manter o ar altivo, a equipe de caracterização se inspirou nos anos 80 no cabelo e na maquiagem da vilã. O maquiador Fernando Torquatto usou tons de berinjela com batom quase no tom do vestido. O buquê era de miniorquídeas com fita de cetim e pérolas. Tanta beleza desperdiçada por uma vingança...
— Algumas pessoas falam que eles se merecem, outros que, finalmente, Tião terá o seu castigo (casando-se com Magnólia) — conta Mayer.
Com Vera, as coisas não são diferentes:
— Alguns acham um castigo, outros acham que ela teve foi sorte, acredita?
O fato é que, fora de cena, o clima entre os atores é outro.
— Eu e Zé brincamos e rimos muito quando a câmera está desligada — diz a atriz.
O parceiro corrobora:
— A gente se diverte o tempo todo.

