Coronavírus: Condomínio em São Paulo exigiu que chineses usassem somente elevador de serviço

Em comunicado nos elevadores, administração impõe 'condições para que nossos 'irmãos' chineses possam acessar as dependências do prédio'.
Em comunicado nos elevadores, administração impõe 'condições para que nossos 'irmãos' chineses possam acessar as dependências do prédio'.
PorCarol Souza06/02/2020 13h35

O surto de coronavírus, principalmente na China, local onde o mesmo se originou, tem assustado o mundo e feito com que a população tome medidas para prevenção do alastramento da doença em outros países, com monitoramentos, controle nos aeroportos e diversas outras medidas e, no Brasil, não tem sido diferente.

Entretanto, um condomínio comercial de São Paulo tomou uma atitude tanto quanto duvidosa nesta semana ao exigir que funcionários asiáticos e visitantes chineses usassem apenas o elevador destinado a serviços para se locomover em suas dependências.

Localizado na zona Sul da cidade, a administração do condomínio ainda divulgou um comunicado interno, fixado nos elevadores, onde determinava "condições para que nossos 'irmãos' chineses possam acessar as dependências do prédio", sendo uma dessas condições, o uso obrigatório do elevador de serviço.

Para os funcionários de uma empresa oriental localizada em uma das salas do Edifício Berrini 550, a "recomendação" foi o uso do álcool gel e máscaras cirúrgicas quando nas áreas comuns do prédio.

A empresa em questão, é a Miniso, que mantém um escritório no edifício. Após tomar conhecimento do ocorrido, a empresa divulgou uma nota onde repudia a ação da administração do condomínio classificando-a como "preconceito e discriminação".

"A Miniso Brasil não consente com qualquer tipo de preconceito e discriminação seja de cor, credo, raça ou etnia e atua sempre pelo bem-estar de todos os seus funcionários, independente da sua nacionalidade".

A comunidade chinesa em São Paulo também não recebeu com bons olhos a "recomendação" do edifício e o Ibrachina, Instituto SocioCultural Brasil-China, divulgou uma nota de repúdio sobre o caso.

No texto, o Instituto classifica como crime a "recomendação": "O Instituto SocioCultural Brasil-China vem a público manifestar repúdio a todo e qualquer tipo de discriminação contra a comunidade chinesa e asiática. O combate aos crimes de racismo e xenofobia é um compromisso de todos que defendem uma sociedade justa e igualitária. Destacamos que estes crimes são imprescritíveis e inafiançáveis". 

Procurada pela imprensa, a administração do condomínio não deu uma resposta sobre a polêmica.

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Sobre o autorCarol Souza
Amante do cinema, dos livros e apaixonadíssima pelo bom e velho rock n'roll. Amo escrever e escrevo sobre o que amo. Ativista da causa feminista e bebedora de café profissional. Instagram: @barbooosa.carol