Diário 24 Horas

Ícone do Forró, Genival Lacerda morre aos 89 anos, vítima de Covid-19

O compositor deixa um legado de 64 anos de carreira como uma das maiores referências da música brasileira
O compositor deixa um legado de 64 anos de carreira como uma das maiores referências da música brasileira
PorMarcos Henderson

Genival Lacerda, um dos maiores ícones e referências do Forró, morreu aos 89 anos em Recife, vítima da Covid-19. A informação foi confirmada pelo filho do músico, João Lacerda, nesta quinta-feira (7), e gerou uma corrente instantânea de homenagens nas redes sociais, reunindo fãs e grandes nomes da música brasileira para relembrar a incrível trajetória do compositor de clássicos como "Severina Xique Xique", "Mate o Véio" e "Radinho de Pilha". 

O cantor estava internado desde o dia 30 de novembro de 2020 no Hospital Unimed I, na Ilha do Leite, área central de Recife, e sofreu complicações no último dia 4 de janeiro, de acordo com o boletim médico divulgado pela família, que iniciou uma campanha de doação de sangue para o cantor na quarta-feira (6). 

64 anos de carreira mostram muito bem quem foi Genival Lacerda, um dos nomes mais respeitados do Forró, não apenas pela música que embalou e inspirou gerações, mas também pelo grande carisma do músico, sempre irreverente e comunicativo, algo que carregou consigo durante a carreira dividida entre as composições e o emprego de radialista. 

Genival se tornou um símbolo potente na cultura nordestina, e não é à toa que a prefeitura de Campina Grande, Paraíba, sua terra natal, decretou luto de três dias após o anúncio da morte do artista. 

Nascido em 1931, ele fez sua primeira gravação musical em 1953, época em que se mudou para Recife, e gravou o primeiro disco em 1956. A partir dali, foram diversos álbuns lançados, até que a música "Severina Xique Xique", de 1975, lhe rendeu consagração nacional com o famoso refrão "ele tá de olho é na butique dela", ecoado até hoje nas festas e grandes shows brasileiros.

Quando se mudou para o Rio de Janeiro, em 1964, Genival se aproximou de grandes nomes da música nacional, como Dominguinhos e Luiz Gonzaga, além de Jackson do Pandeiro, com quem desenvolveu uma grande amizade. Após uma longa estrada de sucesso, o artista voltou para Recife em 1990 e, em 2016, ganhou o título de cidadão recifense da Câmara dos Vereadores. No ano seguinte, ele recebeu a medalha da Ordem do Mérito Cultural (OMC) no Palácio do Planalto. 

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Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson