A primeira semana de Terra e Paixão ainda não foi o suficiente para superar os índices preocupantes de audiência herdados da antecessora, mas já garante uma ótima repercussão nas redes sociais, com comentários positivos e negativos que vão desde ao excelente elenco ao texto inicial de Walcyr Carrasco, passando, também, por análises peculiares sobre a direção de fotografia e a colorização final da obra. Nas múltiplas telas dos espectadores, não é difícil perceber a saturação acentuada responsável por deixar Aline (Bárbara Reis) sempre com a pele dourada e brilhante. Em compensação, Antônio (Tony Ramos) está sempre rosado.
Esse tipo de resultado é bastante conhecido por profissionais da área, e pode ser evitado com correções individuais de matiz e saturação, mas demanda um esmero muito maior para que dois ou mais personagens em uma mesma cena tenham tons de pele em equilíbrio. Por isso, o questionamento principal gira em torno de uma possível escolha criativa da equipe para dividir os personagens através da colorização.
No entanto, a diferença no balanceamento dos tons de pele costuma estar ligada ao processo acelerado de edição, sem a possibilidade de ajustes individuais nas cenas, e como Aline certamente é prioridade por ser a protagonista, o foco sempre será o seu tom de pele, e não dos antagonistas.
As peles exageradamente rosadas se destacam em cenas com os personagens mais brancos, como Antônio e Daniel (Johnny Massaro), enquanto Aline e Jonatas (Paulo Lessa) estão sempre em perfeita sintonia no equilíbrio de cores. Parece uma reparação histórica por todas as vezes em que as peles negras ficaram em segundo plano na cinematografia, mas também ficou perceptível a dificuldade de adaptar a saturação do rosto de Caio (Cauã Reymond), um dos mais afetados pela mão cheia dos editores na primeira semana.
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