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Futebol

Irã confirma presença na Copa do Mundo de 2026, mas impõe exigências aos anfitriões

Entenda as condições impostas pelo Irã para disputar a Copa do Mundo de 2026 nos EUA e o contexto geopolítico de tensão por trás dessa decisão.

·Atualizado há cerca de 2 horas
Irã confirma presença na Copa do Mundo de 2026, mas impõe exigências aos anfitriões
A Seleção do Irã vai para a sua sétima Copa do Mundo. Em nenhuma das vezes a seleção passou da primeira fase. Fonte: Reprodução/instagram.com/teammellifootball

Neste sábado, a Federação Iraniana de Futebol encerrou as incertezas e confirmou que a seleção nacional masculina disputará a Copa do Mundo de 2026. No entanto, a participação da equipe no torneio sediado pelos Estados Unidos, México e Canadá não será isenta de regras. O país impôs uma série de condições à organização do evento para garantir a viagem da sua delegação.

Quais são as exigências da seleção iraniana?

Em um documento oficial apresentado aos países-sede e à entidade máxima do futebol mundial, o Irã listou dez demandas fundamentais. Entre os principais pedidos, destacam-se:

  • Garantia de vistos: Assegurar a emissão de permissões de entrada para todos os jogadores, comissão técnica e demais membros da comitiva.

  • Segurança reforçada: Maior proteção policial em hotéis, aeroportos e nos trajetos oficiais até os estádios.

  • Respeito aos símbolos nacionais: A garantia de que a bandeira e o hino nacional persa serão respeitados de forma integral durante as cerimônias e eventos do torneio.

  • Livre trânsito para profissionais ligados ao CGRI: Proteção para que membros da equipe técnica e jogadores que já serviram ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) não sofram qualquer tipo de restrição migratória na fronteira.

O contexto geopolítico: por que o Irã fez essas exigências?

Para o público que não acompanha o noticiário internacional de perto, as condições impostas refletem o severo agravamento das tensões no Oriente Médio. Desde o início de um novo cenário de conflito armado em fevereiro deste ano envolvendo Estados Unidos, Israel e a República Islâmica, a viagem da equipe para a América do Norte se tornou alvo de grandes preocupações de segurança.

A crise diplomática no esporte piorou significativamente no mês passado, quando o governo do Canadá negou o visto de entrada ao próprio presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, que planejava participar de um congresso esportivo em Vancouver. A justificativa das autoridades canadenses baseou-se nas supostas ligações do dirigente com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, braço militar ideológico iraniano classificado como um grupo terrorista pelo país norte-americano desde 2024.

Diante do recente bloqueio diplomático e de declarações de autoridades estadunidenses alertando que integrantes com vínculo ao grupo militar poderiam ser barrados na imigração, o Irã chegou a proibir viagens de seus clubes esportivos para países considerados hostis. A federação iraniana chegou a solicitar a transferência de seus jogos da fase de grupos para o México, enfatizando publicamente que nenhuma potência estrangeira tem o direito de impedir a participação do país em um campeonato conquistado legitimamente dentro de campo.

Jogos mantidos nos Estados Unidos

Apesar da forte pressão e da crise, a organização do torneio garantiu a segurança da delegação, mas recusou a troca de sede para os jogos dos iranianos. O cronograma oficial aponta que a seleção do Irã instalará sua base de treinamentos na cidade de Tucson, no Arizona. A equipe, que integra o Grupo G da competição, disputará todas as suas partidas da primeira fase em território estadunidense, enfrentando a Nova Zelândia e a Bélgica em Los Angeles, e encerrando a fase de grupos contra o Egito, em Seattle.

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