Copa do Mundo 2026
Futebol

Brasil x Marrocos: Por que parte da África torcerá contra os marroquinos na Copa do Mundo?

Descubra os motivos geopolíticos e históricos que fazem parte dos países africanos na Copa do Mundo de 2026.

·Atualizado há cerca de 2 horas
Brasil x Marrocos: Por que parte da África torcerá contra os marroquinos na Copa do Mundo?
A torcida Marroquina está sozinha nesta Copa do Mundo. Imagem: Gemini/Reprodução.

Neste sábado, 13 de junho de 2026, a Seleção Brasileira entra em campo para o seu primeiro desafio na Copa do Mundo, enfrentando a equipe do Marrocos. O que para muitos aparenta ser apenas um confronto esportivo esconde, na verdade, uma complexa teia geopolítica. Embora seja natural esperar que o continente africano se una em apoio aos marroquinos, o cenário fora das quatro linhas revela um racha profundo, levando boa parte da África a torcer pelo Brasil.

O Legado de 2022 e a Identidade Marroquina

Na edição de 2022, o Marrocos fez história ao se tornar a primeira nação africana a alcançar as semifinais do torneio. O feito foi inicialmente celebrado como um triunfo de todo o continente. Contudo, declarações de jogadores durante a campanha, que dedicaram as vitórias primariamente aos povos árabes e muçulmanos, geraram insatisfação e reabriram o debate sobre o distanciamento identitário do Marrocos em relação à África Subsaariana.

A Raiz do Conflito: O Saara Ocidental

O principal motivo para a torcida contra o Marrocos no continente africano reside em sua política externa e territorial, com destaque para a disputa do Saara Ocidental. A questão envolve os seguintes pontos fundamentais:

  • Descolonização Inconclusa: Desde a retirada da Espanha em 1975, o Marrocos controla e considera como seu domínio a maior parte desta região desértica.
  • A Frente Polisário: Este movimento de libertação nacional, fortemente apoiado pela Argélia, reivindica a independência local e a soberania da República Árabe Saarauí Democrática (RASD).
  • Autodeterminação dos Povos: Para inúmeras nações africanas que forjaram suas identidades na luta contra o colonialismo europeu, a postura de ocupação marroquina fere o princípio básico de autodeterminação, sendo vista por muitos como uma atitude que vai contra as resoluções históricas de descolonização.

Futebol como Espelho da Geopolítica

As consequências diplomáticas dessa disputa são severas. Em 1984, o Marrocos decidiu abandonar a Organização da Unidade Africana (atual União Africana) após a entidade reconhecer a autonomia do território saarauí. O país permaneceu afastado do principal bloco do continente por mais de três décadas, retornando oficialmente apenas em 2017.

Portanto, quando a bola rolar para o confronto entre brasileiros e marroquinos, a preferência de muitos torcedores africanos nas arquibancadas e nas redes sociais será muito mais do que uma escolha futebolística. Trata-se do reflexo direto de décadas de tensões diplomáticas, disputas territoriais e um choque constante de identidades regionais que continua a dividir o continente.

Mais sobre

Copa do Mundo

Mais em Futebol

Confira mais notícias desta categoria