Notícias

Super El Niño coloca setor elétrico em alerta e ameaça pesar no bolso dos brasileiros com alta na conta de luz

Entenda como o fenômeno climático que causa seca e calor extremo força o uso de energia mais cara e pode acionar bandeiras tarifárias mais pesadas até 2027.

Renato Pujol
Atualizado há cerca de 2 horas
Super El Niño coloca setor elétrico em alerta e ameaça pesar no bolso dos brasileiros com alta na conta de luz
A formação de um Super El Niño de intensidade histórica acendeu o sinal de alerta máximo no setor elétrico brasileiro. Montagem / Diário 24 Horas

Se você já está sentindo o clima mais quente e seco nos últimos tempos, prepare-se: o bolso também deve sentir esse impacto em breve. O avanço de um Super El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento fora do comum das águas do Oceano Pacífico, colocou o setor elétrico brasileiro em estado de alerta máxima. Essa mudança drástica no clima promete mexer diretamente com a sua conta de luz nos próximos meses.

Mas por que o aquecimento de um oceano tão distante tem a ver com o valor que você paga na sua fatura de energia? A explicação é simples e está na forma como o Brasil produz eletricidade. O país depende muito das suas hidrelétricas, que geram uma energia limpa e barata usando a força da água dos rios. Quando chove bem, os reservatórios ficam cheios e a energia flui sem pesar no bolso. No entanto, o El Niño inverte esse cenário: ele provoca uma seca severa nas regiões Norte e Nordeste e atrasa a chegada das chuvas no Sudeste e Centro-Oeste, justamente onde estão localizadas as nossas maiores represas.

Com menos água descendo pelos rios dessas regiões, as hidrelétricas não conseguem dar conta de gerar toda a eletricidade que o país precisa. Para piorar, o calor extremo faz com que as pessoas liguem mais o ar-condicionado e ventiladores, disparando o consumo de energia. É aí que entra a solução de emergência: o acionamento das usinas termelétricas.

Diferente das hidrelétricas, as térmicas geram energia queimando combustíveis como gás natural, carvão ou óleo. Esse processo é muito mais caro e poluente. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) já estuda adotar essa medida preventiva para poupar a água dos reservatórios e garantir que não falte luz no país. Especialistas acalmam a população e descartam qualquer risco de apagão ou racionamento, mas alertam que essa segurança tem um preço alto.

Esse custo extra da energia mais cara das térmicas é repassado diretamente para os consumidores por meio das conhecidas bandeiras tarifárias. Atualmente, o país já opera sob a bandeira amarela, que adiciona uma taxa extra a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Com a previsão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos apontando 81% de chance de o Super El Niño ganhar ainda mais força entre outubro e dezembro de 2026, a tendência é que o sistema precise migrar para bandeiras ainda mais caras, como a vermelha, estendendo essa pressão sobre o bolso dos brasileiros até o início de 2027.

Para o consumidor comum, a recomendação dos especialistas é redobrar a atenção com o desperdício. Evitar banhos muito demorados no chuveiro elétrico, utilizar o ar-condicionado de forma consciente e desligar aparelhos que não estão sendo usados são pequenas atitudes que ajudam a aliviar o impacto das tarifas mais altas que estão por vir.

Gostou da matéria? Compartilhe!