Cristiano Ronaldo deixou a concentração da Seleção Portuguesa na véspera do jogo contra a Dinamarca, pela Liga das Nações. A decisão veio poucos minutos depois de uma coletiva de Jorge Jesus e fechou uma semana de ruídos entre o capitão e o novo técnico. Abaixo, o caso em cinco pontos.
1. O banco em Oslo
Tudo começou no domingo (27), na vitória por 2 a 1 sobre a Noruega. Ronaldo ficou os 90 minutos no banco. Jesus explicou depois que tinha combinado com o atacante que ele não jogaria contra Noruega e Dinamarca, mas que poderia ser chamado se o jogo pedisse. Ele chegou a mandar o camisa 7 aquecer no intervalo, sem colocá-lo em campo.
2. Treinos sem o capitão
Nos dias seguintes, Ronaldo não apareceu nos treinos abertos. Jesus disse que ele não tinha se recusado a treinar e lembrou a rotina dos tempos de Al Nassr, quando os dois trabalharam juntos: em sequência de jogos a cada três dias, o atacante costumava não treinar nos dois dias seguintes a uma partida. Na quarta de manhã, o presidente da federação, Pedro Proença, conversou com os dois no hotel da delegação. Segundo o jornal Record, em clima tranquilo.
3. A coletiva que mudou o tom
Na tarde de quarta, Jesus pediu foco na Dinamarca e disse que não havia caso nenhum. Afirmou que fez o mesmo planejamento com Bruno Fernandes e resumiu sua posição numa frase: o status é uma coisa, as regras são outra. Também admitiu que Ronaldo ficou chateado com ele, mas garantiu que a intenção sempre foi proteger o grupo e o próprio jogador. Na mesma entrevista, confirmou Gonçalo Ramos como titular.
4. A saída do Parken
Pouco depois da coletiva, Ronaldo foi filmado deixando o estádio no início do treino. Mais tarde, já de noite, publicou uma nota nas redes: disse que decidiu sair após as palavras do técnico e uma conversa com Proença, prometeu contar a verdade aos portugueses no momento certo e desejou sorte a Portugal e a todos os companheiros, sem exceção. A federação confirmou apenas que ele deixou o estágio.
5. E agora?
Um jornal português publicou que a decisão de encerrar a trajetória na seleção seria definitiva, mas até agora nem Ronaldo nem a federação falaram oficialmente em aposentadoria. Também existe a dúvida sobre uma possível punição, já que o regulamento disciplinar da federação prevê sanções para quem abandona a concentração, com imprensa portuguesa citando suspensão de até seis meses.
Aos 41 anos, maior artilheiro da história da seleção e capitão de tantas campanhas, Ronaldo prometeu dar sua versão. Do outro lado, Jesus segue com a seleção 100% no grupo. Os dois lados têm suas razões, e o próximo capítulo deve vir da boca do próprio camisa 7.
