O Manchester City entra em campo neste domingo (11), às 12h30 (de Brasília), contra o Liverpool em Anfield, como líder da Premier League e com 100% de aproveitamento. Fora de campo, vive o momento mais delicado da sua história recente: há menos de duas semanas, uma comissão independente da liga o considerou culpado no caso das chamadas 115 acusações de violações financeiras.
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O que a comissão decidiu
A Premier League divulgou o veredito na terça-feira, 29 de setembro. O City foi considerado culpado de todas as acusações de violação das regras financeiras, referentes às temporadas de 2009/10 a 2017/18, e da maioria das acusações de falta de cooperação com a investigação. Pela contagem da imprensa inglesa, foram 114 condenações em 115 acusações.
Segundo a comissão, o clube usava contratos de patrocínio de fachada: os patrocinadores pagavam menos do que o valor no papel, e a diferença era coberta pelos próprios donos do City. Com isso, as receitas foram infladas e os custos reduzidos em cerca de 900 milhões de libras.
As acusações foram apresentadas em fevereiro de 2023. A audiência terminou em dezembro de 2024, e a decisão levou quase dois anos para sair.
City recorreu e diz ser inocente
O clube protocolou o recurso na quinta-feira, 1º de outubro, um dia antes do fim do prazo. Em nota, afirmou que a decisão tem "erros materiais claros, de direito, de princípio e de fato", repetiu que é inocente e disse ter provas para sustentar todas as suas posições.
O recurso será analisado por um novo painel de três integrantes. O painel não refaz o julgamento: revisa a decisão original e pode mantê-la, alterá-la ou devolver o caso à comissão. Pelas regras da liga, a audiência precisa terminar até 24 de dezembro, e a decisão sai em até 30 dias depois. Ou seja, o desfecho deve ficar para janeiro de 2027.
A punição ainda não existe
A pena será decidida em outra audiência da comissão, ainda sem data pública. Segundo o jornal britânico The Times, ela deve acontecer em semanas, e não em meses.
As regras permitem de multa a perda de pontos e até exclusão da competição. Clubes rivais pressionam por uma dedução pesada, e há quem defenda um número de pontos alto o bastante para, na prática, rebaixar o time. Também não está definido se uma eventual punição valeria de imediato ou ficaria suspensa durante o recurso. O City ainda pode contestar a pena separadamente.
Os precedentes recentes são bem menores. Em 2023/24, o Everton perdeu 6 pontos (eram 10 antes do recurso) e o Nottingham Forest perdeu 4, ambos por estourar limites de gastos em casos muito mais simples que o do City.
Onde o Liverpool entra na história
O período julgado inclui a temporada 2013/14, quando o City foi campeão inglês dois pontos à frente do Liverpool. A decisão não retira títulos, e não existe determinação nesse sentido. Mas a imprensa internacional já aponta que o veredito pode abrir caminho para ações de clubes rivais pedindo indenização. O Liverpool não se manifestou sobre isso.
Em campo, a tabela segue valendo
Enquanto o processo corre, a classificação é a que está no papel. O time de Enzo Maresca, em sua primeira temporada no lugar de Pep Guardiola, venceu os cinco jogos que fez, com 13 gols marcados e 5 sofridos. O Arsenal também tem 15 pontos, mas com uma partida a mais.
Para o clássico, Maresca não tem Phil Foden, suspenso. O Liverpool de Andoni Iraola chega invicto, em 7º, com duas vitórias e três empates. Uma vitória em Anfield abre 3 pontos de vantagem na liderança, num campeonato em que a pontuação do City pode mudar fora de campo.
