O empate por 1 a 1 em Brusque tirou o Paysandu da Série B de 2027 dentro de campo, mas o clube ainda tenta reverter o resultado fora dele. Antes da retomada da partida, neste domingo (11), a diretoria enviou um ofício à CBF e ao STJD. No documento, avisou que só entraria em campo sob protesto, para evitar sanções por descumprimento, e que mantinha a reserva de todos os seus direitos.
O pedido central é que o jogo seja encerrado no placar do momento da paralisação: 1 a 0 para o Papão, gol de Ítalo.
O que o Paysandu alega
O clube se apoia nos artigos 203 e 211 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O primeiro trata de quem dá causa à suspensão de uma partida. O segundo trata da obrigação de garantir segurança no local do jogo. Para a diretoria bicolor, a interrupção de sábado (10) foi causada por falha de organização do Brusque. A torre de filmagem instalada no setor visitante balançou com a torcida, e o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina reconheceu o risco. Por isso, segundo o clube, o regulamento exigiria o encerramento definitivo do jogo, com a perda dos pontos pelo mandante, e não uma simples suspensão para retomada.
O ofício também contesta outros três pontos:
- Portões fechados: o complemento sem público tirou do time o apoio dos cerca de 600 torcedores que viajaram do Pará quando o Papão vencia. Segundo o clube, isso também gerou desgaste logístico e físico à delegação.
- Paralisação em Araraquara: a interrupção de Ferroviária x Inter de Limeira não estaria entre as hipóteses do Manual de Competições. A falta de simultaneidade, segundo o clube, permitiria a um concorrente saber antes o resultado do outro jogo. A CBF justificou a medida pela isonomia da disputa.
- Documentos: o jurídico pediu laudos de segurança, súmulas e relatórios oficiais das duas partidas e se reservou o direito de pedir a punição do Brusque nos tribunais desportivos.
Por que os pontos decidem o acesso
O jogo foi retomado às 15h de domingo, de portões fechados. Aos 26 minutos do segundo tempo, Jeferson empatou para o Brusque. No fim, Nico Schiappacasse perdeu a chance que daria a vaga ao Paysandu. A cobertura lance a lance do Diário registrou a retomada.
Em Araraquara, a Ferroviária venceu a Inter de Limeira por 2 a 0. Com o empate em Santa Catarina, os dois paulistas subiram, e o Paysandu terminou o Grupo C em último, com cinco pontos.
A conta é o que dá peso ao protesto. Antes da rodada, o cenário de acesso do Papão era vencer o Brusque e torcer por derrota da Inter de Limeira, ficando com a segunda vaga pelo número de vitórias. A Inter perdeu. Se o STJD confirmasse o 1 a 0, o Paysandu passaria à frente dos paulistas na briga pela vaga.
O que disseram Tuma e Mazola
Na noite de sábado, o presidente Márcio Tuma já havia antecipado a disputa jurídica.
"Os jurídicos vão entrar em ação. Lamentável que uma última partida da Série C, que vale o acesso, termine com ações judiciais", disse o dirigente.
Depois do empate, o técnico Mazola Júnior repassou o caso ao departamento jurídico.
"Agora é com o jurídico do Paysandu, porque ontem foram infringidas muitas regras do regulamento da competição", afirmou o treinador.
Mazola não especificou quais regras teriam sido descumpridas.
O Brusque, em nota divulgada após a suspensão, afirmou ter adotado as medidas preventivas exigidas e negou superlotação no setor visitante. Já a declaração do vice-presidente da CBF Ricardo Gluck Paul, que falou em "jogo de compadre" em Araraquara, aumentou a tensão em torno da rodada, como o Diário mostrou antes da retomada.
Próximos passos
Até a publicação desta matéria, o Paysandu não havia divulgado se já protocolou uma notícia de infração no STJD após a eliminação. A CBF e o Brusque também não responderam publicamente ao protesto. Enquanto o caso não anda no tribunal, o acesso de Ferroviária e Inter de Limeira segue válido.
