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Flamengo cai com um a mais, e até Jorginho para em Muslera nos pênaltis

O Flamengo teve um jogador a mais por mais de 40 minutos no Maracanã, não marcou contra o Estudiantes e se despediu da Libertadores com três cobranças paradas por Muslera.

Marvin Almeida
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Flamengo cai com um a mais, e até Jorginho para em Muslera nos pênaltis
Jorginho abriu as cobranças e acabou perdendo seu pênalti. Foto: Reprodução/Instagram

O Flamengo está fora da Libertadores, e do jeito que mais machuca. Foi em casa, diante de 72.492 torcedores, com um jogador a mais por mais de 40 minutos, e o cobrador mais confiável do time parou no goleiro. Nesta quinta-feira (22), o Rubro-Negro perdeu para o Estudiantes por 3 a 2 nos pênaltis, depois do 0 a 0 com os argentinos na volta da semifinal.

Somando o empate sem gols da ida, em La Plata, foram 180 minutos sem balançar a rede. A final contra o Palmeiras em Montevidéu, que o torcedor já imaginava, fica com o Estudiantes. A decisão será no dia 28 de novembro, no Centenário, e repete a final de 1968.

Um primeiro tempo de susto

O Estudiantes começou melhor e apertou a saída de bola. Rossi trabalhou cedo: defendeu o chute de Santiago Núñez aos 2 minutos, salvou um desvio de Marcos Rojo após escanteio e ainda espalmou a bomba de Baltasar Rodríguez, que tocou a trave.

O Flamengo teve mais a bola, mas foi para o intervalo sem um chute na direção do gol. A melhor chance veio aos 23 minutos: Pedro ajeitou de calcanhar para Emerson Royal, e Núñez bloqueou na pequena área.

Um a mais que não virou pressão de verdade

Aos 4 minutos do segundo tempo, Baltasar Rodríguez puxou a camisa de Samuel Lino perto da área, levou o segundo amarelo e foi expulso. A partir daí, o Flamengo jogou praticamente sozinho no campo de ataque.

Os números mostram o tamanho do domínio, e também o tamanho do problema. Foram 76% de posse e 649 passes contra 207, com 13 finalizações. Só três foram no gol, e sete pararam em bloqueios. O Estudiantes, com um a menos em quase todo o segundo tempo, também acertou três no alvo.

É aí que mora a crítica. Contra um time de dez homens fechado em bloco baixo, é preciso bola rápida, gente atacando o espaço e cruzamento de qualidade. O Flamengo rodou a bola de um lado para o outro e esbarrou numa defesa que parecia confortável sofrendo. As chances claras foram poucas. Aos 36, Plata recebeu lançamento de Paquetá e cabeceou livre, mas Muslera fechou o ângulo. Aos 41, Paquetá testou rente à trave depois de cruzamento de Jorginho.

As mudanças de Jardim chegaram tarde

Leonardo Jardim mexeu primeiro aos 18 minutos, com Arrascaeta no lugar de Carrascal. O uruguaio voltava de uma cirurgia no punho e jogou com proteção. A virada ofensiva de verdade só veio aos 37: Bruno Henrique no lugar de Pulgar, Plata no de Samuel Lino e Ayrton Lucas no de Alex Sandro. Aos 43, Joaquín Freitas substituiu Pedro.

Com um a mais desde o começo da etapa, fica a pergunta: por que o time só ganhou peso no ataque a menos de dez minutos do fim? Tirar um volante contra dez homens recuados era o movimento mais óbvio, e ele demorou mais de meia hora para acontecer. Quando Bruno Henrique e Plata entraram, o Flamengo ficou mais agudo, e a melhor chance da noite saiu dali. Só que já era tarde.

Jorginho, o batedor que não errava

Arrascaeta abriu a série com gol, e José Sosa empatou. Depois veio Jorginho, cobrador oficial do time. Com o pulinho de sempre antes da batida, ele chutou rasteiro, e Muslera defendeu. Foi o primeiro pênalti perdido pelo volante desde que chegou ao clube, em junho de 2025: são 12 gols em 13 cobranças com a camisa rubro-negra. No domingo, contra o Bahia, ele tinha convertido mais um na vitória por 3 a 0 em Salvador.

Cetré isolou e devolveu a esperança, mas Paquetá também parou em Muslera. Mancuso, Léo Pereira e Tiago Palacios converteram. Coube a Bruno Henrique a última cobrança, e o uruguaio defendeu de novo.

Não dá para pendurar a eliminação no pé de Jorginho. Um time que chega aos pênaltis depois de 45 minutos com um a mais, sem fazer gol, já deixou a vaga escapar antes. O símbolo, porém, é cruel: justamente o jogador que dava segurança na marca da cal foi o primeiro a abrir a porta. E o mérito é de Muslera, gigante na noite do Maracanã.

O que disse Leonardo Jardim

O técnico assumiu a responsabilidade pela eliminação e contou que o elenco treinou pênaltis duas vezes durante a semana. Ele também defendeu os batedores escolhidos:

"Coloquei os jogadores mais consagrados, acostumados a bater pênaltis no clube e na seleção. Não vou ensinar esses jogadores a bater pênaltis."

Resta o Brasileirão

Arrasca entrou no segundo tempo. Foto: Reprodução/Instagram @flamengo
Arrasca entrou no segundo tempo quando o Fla já tinha um jogador a mais. Foto: Reprodução/Instagram @flamengo

Agora o Flamengo só tem o Campeonato Brasileiro. O time é líder com 67 pontos, um a mais que o Palmeiras, ambos com 31 jogos. O próximo compromisso é contra o Atlético-MG, na segunda-feira (26), às 20h. A resposta precisa vir rápido, porque um tropeço devolve a ponta ao rival, que agora divide as atenções com uma final.

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