Alunos do curso de Museologia do Instituto de Ciências da Arte (ICA) da Universidade Federal do Pará realizam, até o dia 29 de março, a exposição “Tecnobrega: A batida que vem do Norte”. A exposição é coordenada pelos professores Diogo Melo e Marcela Cabral. A mostra pode ser visitada no horário de 10h às 17h, na galeria César Moraes Leite, no espaço cultural do Vadião, localizado no campus básico da UFPA.
Acervo- A exposição Conta a história do ritmo que teve inicio em 1990, com o brega, até o advento das aparelhagens e do tecnobrega. A dança, o “treme” e a indústria fonográfica também fazem parte da exposição. Para representar essa cultura, de maneira material, são expostos vinis, fotos, revistas, CDs e figurinos de artistas regionais, como a banda Gangue do eletro e Gaby amarantos.
Interatividade- Participantes podem experimentar roupas no estilo dos grupos que frequentam as festas de aparelhagens, ou das chamadas “famílias”. Músicas também são disponibilizadas para quem quer conhecer o ritmo.
O tema foi definido por se tornar um fenômeno da cultura paraense que ganhou expansão nacional, além de ter sido elogiado por grandes críticos, como Nelson Mota. A recente luta pela legitimação dos grupos vinculados ao tecnobrega, por meio de um projeto de lei, que pretendia torná-lo patrimônio cultural e artístico do estado do Pará, também foi um fator importante na escolha do tema.
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Embora o projeto de lei tenha sido vetado em instância estadual, percebe-se que existe uma demanda da sociedade paraense que torna o ritmo um elemento importante da sua dinâmica cultural. Por isso, é preciso que haja um esclarecimento a população sobre a desmitificação de conceitos atribuídos ao ritmo.
Sobre isso, Jadson Silva, estudante de museologia e idealizador do projeto, afirma que “O tecnobrega ainda é muito marginalizado mesmo no estado do Pará. Constantemente vemos pessoas que atribuem o tecnobrega ao banditismo, à marginalização, ao roubo e a uma serie de outras coisas. Mesmo pessoas já esclarecidas, que frequentam a academia, que estudam autores que falam sobre o respeito, que tratam a questão patrimonial, que procuram estudar muito mais com as comunidades, mesmo essas pessoas, de certa forma, acabam não percebendo a potência que é o tecnobrega” ressalta Jadson.
Valorização
Segundo o professor Diogo Melo, a presença de um espaço como este dentro da universidade é importante, já que “devemos aproximar a comunidade de dentro e fora da academia, e mostrar que do outro lado dos muros existe uma cultura, uma produção musical e artística interessante, para os quais a universidade deve voltar seus olhares; além de quebrar o paradigma da museologia, de ressaltar um patrimônio mais erudito e mostrar que conceito de patrimônio é muito mais amplo, ele é a valorização do que o povo esta fazendo”, afirma o coordenador.
Serviço:
Exposição “Tecnobrega: A batida que vem do Norte”
Data: 13 a 29 de março
Horário: 10h as 17h
Local: Galeria César Moraes Leite no espaço cultural do Vadião, localizado no campus básico da UFPA

