O governo dos Estados Unidos oficializou uma decisão que promete reconfigurar as relações comerciais com a América Latina: a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. Com entrada em vigor prevista para o dia 22 de julho de 2026, a medida é o desfecho de uma investigação minuciosa conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sob a chamada 'Seção 301'.
A justificativa de Washington para a sobretaxa baseia-se na classificação de diversas políticas de mercado do Brasil como práticas comerciais desleais. Entre os pontos criticados pelo governo americano estão o funcionamento do sistema de pagamentos Pix, as restrições impostas ao etanol importado, as regras de comércio digital e até mesmo questões de preservação ambiental.
Apesar do forte impacto esperado nos setores industriais e manufaturados, os americanos criaram uma lista com mais de 2.100 exceções de produtos considerados estratégicos. Itens de grande peso na pauta de exportações brasileiras, como café, carne bovina, petróleo e aeronaves, ficaram de fora da taxação para evitar o desabastecimento e uma eventual pressão inflacionária no mercado interno dos EUA.
A reação de Brasília à nova barreira alfandegária foi imediata e enérgica. O governo brasileiro classificou a decisão norte-americana como um "marco lastimável" para o comércio bilateral. Como contraofensiva, o país anunciou que recorrerá formalmente à OMC (Organização Mundial do Comércio) e que pretende aplicar a Lei de Reciprocidade em resposta direta às medidas de Washington.

