Tecer rosários. O tempo e o espaço da luz, do som, das pessoas, das personagens, das coisas que se desenrolam no lugar, na vida de cada um, no cotidiano, percursos na Campina, em Belém.
A história do bairro da Campina se confunde com a história da cidade, pois este bairro nasceu dessa necessidade de expansão e subversão da ordem estabelecida. No entanto, oficialmente a Campina só foi reconhecida com a chegada da igreja católica. O convento de Santo Antônio é considerado pela história oficial o marco zero do bairro, mas sua ocupação já existia. A boemia e a clandestinidade sempre estiveram presentes neste lugar de histórias e memórias que se refazem como rosários no imaginário.
Fotografias recontam uma trajetória de vida, movente cidade. Alvo, expansão, crescimento, o sagrado, o profano, a vida feito arte do fazer, a construir sonhos e delírios que são evocados nas imagens-textos que vão além e fazem do cotidiano um poema em construção.
A cidade é um mito, uma grande metáfora. Belém guarda uma metáfora surreal cheia de cores, sons e cheiros; lugares que marcam não apenas a memória, mas o corpo. Percorrer as ruas da Campina é encontrar no fragmento, uma historia ocultada neste segundo núcleo urbano da cidade, bairro boêmio, onde o samba faz “universidade” na “Universidade de Samba Boêmios da Campina” memórias e ruínas, num batuque de rosários.
Capturar o corpo citadino que se descortina através das fotografias destes rosários nos convida a mergulhar nos sonhos e nas dores de um poema-aventura inscrito nas casas, nas ruas do bairro, poema-imagem que se faz cor no olhar de cada um que adentrar esta história insólita da cidade, em encantarias e mandingas de tamaquarés.
Imagens que pulsam no bairro em fruição, apreendidas pelos artistas, fotógrafos, moradores que, simultaneamente, caminham pelo Segundo Distrito, a Campina, numa arqueologia da cidade, histórias, memórias, telhados, ruínas. Rosários tecidos nas esquinas, na contramão, nas meninas de antes, de agora, o olhar, a poesia no canto do caraxué, nas primeiras horas do dia.
Nas memórias pictóricas das paredes descascadas: casa verde, porta amarela, casas coladas, conversas afiadas, o véu loucura, liberto desejo, fantasia, realidade, realidade, angústia, felicidade. Nível fantástico de vida numa verdade acima da razão. Nas calçadas quebradas, moventes silêncios, trajetos de aproximação da rua, da casa, da cidade, fotografias que dialogam o espaço publico, o espaço privado, janelas da memória, instigantes travessas da Campina.
Ache Belém com informações da assessoria de imprensa.
Serviço
Exposição "Os Rosários da Campina"
Data: de 23 a 27 de março de 2013.
Local: Corredor Polonês, rua General Gurjão, 253.
Mostra itinerante: 8h30 às 12h.
07 de março - Praça do Rosário
14 de abril - Praça da Trindade
21 de abril - Praça da República
28 de abril - Praça Pedro Teixeira
05 de maio - Praça da Bandeira

