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Em Goiás, pastora evangélica mantinha criança indígena como escrava

Carol Souza
Em Goiás, pastora evangélica mantinha criança indígena como escrava

Através de denuncias, foi descoberto em Goiânia que, uma pastora evangélica mantinha uma menina de origem indígena, em regime escravo. A garota, de apenas 11 anos, era mantida na casa da pastora, realizando serviços domésticos sem nenhum tipo de remuneração em jornada excessiva. A garota lidava com instrumentos perigosos como ferro de passar e objetos cortantes da cozinha, além de ser obrigada a entregar panfletos da igreja nas ruas e praças da cidade no período da noite.

A pastora, que não teve seu nome, nem o nome de sua igreja divulgados, chegou até a criança através de sua família. De origem Xavante, a família (pai e irmã) se mudou para Goiânia em busca de tratamento médico e se abrigou na Casa de Saúde do Índio. 

Em busca de apoio material e religioso, o pai da menina foi indicado a procurar a Igreja conduzida pela pastora, que se ofereceu para cuidar da menina com promessas de habitação e educação.

Entre as denúncias, consta que a menina era obrigada a trabalhar, mesmo doente e sofria ameaças de castigos corporais.

O caso foi descoberto pelas professoras da escola onde a menina estudava, quando notaram seu comportamento mais tímido do que de costume e alguns hematomas. A garota foi mantida em regime escravo durante cerca de um ano e seis meses.

A pastora, que já prestou depoimento, negou todas as acusações. O caso foi registrado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, que ao identificar o crime, encaminhou o inquérito ao MPF (Ministério Público Federal).

Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, a mulher deve responder pelo crime de “reduzir alguém à condição análoga a de escravo”, previsto no artigo 149, do Código Penal e pode pegar pena de até 16 anos de reclusão, se condenada.

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