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Em Goiás, pastora evangélica mantinha criança indígena como escrava

Carol Souza
Atualizado há quase 5 anos
Em Goiás, pastora evangélica mantinha criança indígena como escrava

Através de denuncias, foi descoberto em Goiânia que, uma pastora evangélica mantinha uma menina de origem indígena, em regime escravo. A garota, de apenas 11 anos, era mantida na casa da pastora, realizando serviços domésticos sem nenhum tipo de remuneração em jornada excessiva. A garota lidava com instrumentos perigosos como ferro de passar e objetos cortantes da cozinha, além de ser obrigada a entregar panfletos da igreja nas ruas e praças da cidade no período da noite.

A pastora, que não teve seu nome, nem o nome de sua igreja divulgados, chegou até a criança através de sua família. De origem Xavante, a família (pai e irmã) se mudou para Goiânia em busca de tratamento médico e se abrigou na Casa de Saúde do Índio. 

Em busca de apoio material e religioso, o pai da menina foi indicado a procurar a Igreja conduzida pela pastora, que se ofereceu para cuidar da menina com promessas de habitação e educação.

Entre as denúncias, consta que a menina era obrigada a trabalhar, mesmo doente e sofria ameaças de castigos corporais.

O caso foi descoberto pelas professoras da escola onde a menina estudava, quando notaram seu comportamento mais tímido do que de costume e alguns hematomas. A garota foi mantida em regime escravo durante cerca de um ano e seis meses.

A pastora, que já prestou depoimento, negou todas as acusações. O caso foi registrado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, que ao identificar o crime, encaminhou o inquérito ao MPF (Ministério Público Federal).

Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, a mulher deve responder pelo crime de “reduzir alguém à condição análoga a de escravo”, previsto no artigo 149, do Código Penal e pode pegar pena de até 16 anos de reclusão, se condenada.

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