O poeta Ferreira Gullar, amigo de Coutinho havia 50 anos, desde a vivência no Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes(UNE), se disse "chocado" com a violência que ele sofreu. "Foi brutal. Coutinho era a última pessoa do mundo que deveria ser assassinada. Eu passei por algo semelhante na família (ter filhos com doenças psíquicas) e sei como é. Ele era uma pessoa discreta, delicada, um amigo afetuoso e leal. Para o cinema, é uma perda grande, pois, dificilmente, vai aparecer outro", afirmou.
O diretor de fotografia Walter Carvalho também o conhecia desde os anos 1960. O irmão de Carvalho, Wladimir, foi assistente de Coutinho no início das filmagens de Cabra Marcado para Morrer, em 1963. "As reuniões com os camponeses eram na minha casa, em João Pessoa. O cinema dele influenciou a todos. Era um homem de vanguarda. Tudo o que tenho a dizer são as últimas palavras de Hamlet: 'O resto é silêncio'", disse.
