O adolescente que foi encontrado preso a um poste, com uma tranca de bicicletas, no último sábado, chegou por volta das 19h30 à delegacia do Catete, que fica localizada na zona sul do Rio, para ser ouvido pela delegada Monique Vidal, encarregada do caso.
O jovem relatou, na noite em que foi libertado, ter sido punido por um grupo de três “justiceiros” mascarados, que o acusaram de cometer assaltos na região. O crime aconteceu na Avenida Rui Barbosa, em um endereço nobre da cidade, e a menos de um quilômetro da residência oficial do comando-geral da Polícia Militar do estado.
A polícia ainda procura identificar quem são os jovens que agrediram e humilharam o jovem, e, como indicam depoimentos de jovens detidos na segunda-feira, 3, possivelmente planejavam mais ações desse tipo, apesar de não ter provas nesse sentido, Monique Vidal investiga se a tortura praticada contra o adolescente está ligada a uma confusão registrada por volta de 23h de segunda-feira no Aterro do Flamengo, naquela noite, 14 jovens foram detidos por policiais militares.
Os agentes ouviram gritos de dois adolescentes, que pediam socorro porque temiam ser agredidos, não houve prova da agressão e, na delegacia, apenas dois detidos aceitaram prestar depoimento, os demais preferiram falar somente diante à Justiça.
Os dois jovens admitiram usar a página no Facebook, “Bairro do Flamengo” para planejar “ações de patrulhamento” no bairro, por considerarem que o policiamento é ineficiente na região. Mesmo confrontados com o depoimento dos dois adolescentes, os rapazes negaram que tenham iniciado qualquer tipo de agressão.
Os 14 rapazes, que se consideraram no direito de patrulhar o Aterro do Flamengo, são moradores de bairros da Zona Sul do Rio. Um deles era menor de idade, eles vão ser investigados por formação de quadrilha, corrupção de menores e tentativa de lesão corporal, mas, como não há prova de crime, não tiveram ordem de prisão. Os investigadores aguardam imagens de prédios da região para tentar identificar se os três torturadores podem fazer parte desse grupo.
Nesta quarta-feira, 5, o administrador da página de Facebook “Bairro do Flamengo” foi interrogado pela delegada, ele negou que a página tenha servido para planejamentos de ações de justiceiros, como afirmaram dois dos jovens detidos. A artista plástica Yvone Bezerra de Mello, da ONG “Uerê”, também foi interrogada na 9ª DP e informou à delegada o que presenciou na noite de domingo, além do que ouviu do rapaz, segundo Yvone, o rapaz relatou que foi torturado por três motoqueiros, com os rostos cobertos por capuzes, que cortaram parte de sua orelha e o prenderam nu ao poste.
Adolescente amarrado em poste no Rio de Janeiro é interrogado pela Polícia Civil

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