Após 33 anos, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro denuncia seis pessoas - cinco militares e um delegado – envolvidos no caso do Riocentro. Eles foram acusados de homicídio doloso tentado duplamente qualificado, associação criminosa armada e até transporte de explosivos.
Os acusados foram o ex-delegado Claudio Antonio Guerra, os generais reformados Newton Cruz e Nilton Cerqueira e o coronel reformado Wilson Luiz Chaves Machado. É válido ressaltar que Newton Cruz também está sendo acusado por favorecimento pessoal; o general reformado Edson Sá Rocha por associação criminosa armada e o major reformado Divany Carvalho Barros, por fraude processual.
O crime aconteceu dia 30 de abril de 1981 e foi conhecido como Atentado do Riocentro, no fato uma bomba explodiu e matou um sargento(Guilherme Pereira do Rosário), que estava dentro de um automóvel ao lado do Wilson Machado. Mesmo com o veículo integralmente destruído, Wilson não morreu. Outra bomba explodiu na casa de força do Riocentro, onde ocorria um show de homenagem ao Dia do Trabalhador, cerca de 20 mil pessoas estavam no local .
O caso chegou a ser investigado duas vezes pela Justiça Militar, em 1981 e 1999, mas não chegou a ter a resultados.
“O Ministério Público Federal resolveu reabrir as investigações porque foram encontradas inúmeras provas novas, que nunca haviam sido apreciadas nas investigações anteriores, tanto documentais quanto testemunhais, que levaram a elucidar alguns aspectos do Atentado do Riocentro que jamais tinham sido explorados nas investigações anteriores”, disse o procurador da República Antonio Cabral, explicando que a denúncia se pode ser melhor compreendida pela mostra de provas atuais referentes ao processo.
“Destacamos os documentos encontrados na casa do então comandante do DOI [Destacamento de Operações de Informações] do Rio de Janeiro, o coronel Júlio Miguel Molinas, e inúmeros depoimentos de vítimas que jamais tinham sido ouvidas e que viram os militares manuseando a bomba dentro do Puma e também viram o arremesso da bomba na casa de forças e estavam próximos à explosão.” Molinas foi vítima de atiradores em Porto Alegre, em 2012, e a agenda dele, onde anotava todas as informações sobre o caso Riocentro, foi posteriormente entregue por parentes.

