O ator global Vinícius Romão de Souza, de 27 anos, foi solto nesta terça-feira (25) pela Justiça do Rio após a polícia civil admitir que o mesmo foi preso por engano. Vinícius estava preso desde a noite do dia 10 acusado de ter roubado a bolsa de uma mulher na Rua Amaro Cavalcanti, no bairro do Méier, zona norte do Rio de Janeiro.
A decisão foi concedida horas antes de o delegado Niandro Lima, da 25ª Delegacia de Polícia (Engenho Novo), responsável pela investigação, ajuizar habeas corpus em favor do ator, reconhecendo que ele não teve participação alguma no roubo. Souza fez uma participação na novela "Lado a lado", da TV Globo.
Niandro Lima, delegado da 25ª Delegacia de Polícia (Engenho Novo), responsável pela investigação, ouviu novamente a vítima do roubo. A copeira de 51 anos admitiu ter errado ao reconhecer Souza como o homem que havia levado sua bolsa. "Desta vez, a vítima disse que tinha sido empurrada pelo ladrão, que estava nervosa e que o local do roubo estava escuro. Contou que olhou rapidamente para o rosto do ladrão. Afirmou ainda que, o que mais chamou sua atenção, foram a camiseta preta e o cabelo black power do criminoso
Em seu depoimento a vítima contou ainda que, depois de reconhecer Souza como o autor do roubo, ficou pensando nas diversas vezes em que ele negou o crime, alegando que estava sendo confundido. "Desde o dia seguinte, ela pretendia retornar à delegacia para dizer isso, mas não o fez porque não tinha o dinheiro da passagem.”
“A polícia não tem interesse em manter um inocente preso, por isso, vou pedir à Justiça que solte o rapaz”, explicou o delegado.
A liberdade provisória foi concedida uma semana depois do pedido feito pelo advogado Rubens Nogueira de Abreu, que defende Souza. Na sentença, o juiz afirma que o ator terá de se apresentar em juízo mensalmente e está proibido de sair do Rio enquanto durar o processo. "Há indícios de autoria e da existência do crime consistentes nos termos de declarações prestadas em sede policial. No entanto, o indiciado não apresenta o perfil corriqueiro de autores de crime dessa espécie. É uma pessoa que trabalha, estuda e tem endereço fixo, além de não possuir antecedentes criminais, conforme registra o resultado da consulta feito nesta data", escreveu o juiz Rudi Baldi Loewenkron, da 33.ª Vara Criminal, antes do delegado ajuizar o habeas corpus.
Conhecidos de Vinícius afirmaram que este é mais um caso de preconceito racial, pois o ator é negro. O incidente que levou a prisão por engano aconteceu na noite do dia 10 de fevereiro, quando a copeira Dalva Maria da Costa foi assaltada em uma parada de ônibus na rua Amaro Cavalcanti, no Méier, zona norte do Rio de Janeiro, segundo ela, o criminoso levou a sua bolsa com carteira, celular entre outros pertences, minutos após o assalto, Dalva, que ficou no local muito assustada e chorando, foi abordada por um homem que se identificou como Freitas, afirmando ser Policial Militar, e que a chamou para entrar em seu carro.
Em um viaduto próximo ao ponto de ônibus, os dois avistaram o ator Vinicius, e Dalva o identificou como sendo o ladrão que pegou a sua bolsa, Vinicius que estava voltando do seu trabalho, foi abordado pelo policial, que sacou a sua arma e o revistou, mas ele não estava com nenhum dos pertences da vitima.
Mesmo sem portar nenhum objeto de Dalva, o ator foi preso e encaminhado ao 25º Distrito Policial do Engenho Novo, e registrado como flagrante. Logo em seguida, ele foi levado à Casa de Detenção Patrícia Acioli, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo o advogado do ator, Nogueira de Abreu, esse tipo de arbitrariedade não é incomum por parte da policia, principalmente quando se trata de pessoas negras. “O que houve, na realidade, foi um reconhecimento precipitado, que não foi apurado”.
Após os esclarecimentos e a informação de que Vinícius foi solto pois havia sido vítima de engano, milhares de mensagens de apoio e indignação, algumas acusando inclusive o ato de racismo contra o ator, tomaram conta das redes sociais.

