Técnicos do Instituto Geral de Perícias (IGP) estiveram nesta tarde de terça-feira (11) na Boate Kiss, em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. Eles fizeram um novo trabalho no interior do local a pedido de representantes dos donos da casa noturna. Eles participaram da coleta de materiais componentes do local.
O trabalho consistiu na remoção de amostras do forro de gesso e de lã de vidro da estrutura foi solicitada pelos advogados dos proprietários, réus no processo criminal sobre a tragédia de janeiro do ano passado, que matou 242 pessoas.
Por volta das 15h50, o trabalho terminou. A análise exige cuidado redobrado já que existem pelo menos 200 substâncias tóxicas no local, segundo laudos periciais. Na saída, familiares discutiram com Jader Marques, advogado de defesa do sócio Elissandro Spohr, o Kiko. Jader acabava de sair da boate quando foi interpelado pelo presidente do Movimento Luto à Luta, Flavio Silva.
Por uma ordem judicial, apenas a perícia estava autorizada a fotografar e tocar objetos na parte interna do prédio. A imprensa também teve o acesso proibido. Um perito que coordena o recolhimento de amostras deve conceder uma entrevista coletiva ainda nesta terça.
As coletas foram solicitadas pelos advogados dos sócios da boate e réus no processo, Mauro Hoffmann e Elissandro Sphor, o Kiko, já que o próximo passo é a limpeza e descontaminação do prédio. Além dos dois acusados, os integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o funcionário Luciano Bonilha Leão também respondem ao processo.
O defensor de Mauro Hoffman, Mário Cipriano, afirmou que a coleta será realizada para a produção de provas ao longo do processo, mas que ainda não há nenhum questionamento em relação à perícia que já foi realizada no local. A partir de abril, mais 25 pessoas deverão ser ouvidas, o que deve encerrar a primeira parte do processo criminal. Depois, devem ser ouvidos sobreviventes indicados pela acusação e defesa.
Longe de parecer ter um final, as investigações e processos judiciais de familiares tem como entrave esta troca de acusações e de responsabilidades pelo ocorrido. O incêndio na boate Kiss completou 1 ano no dia 27 de janeiro de 2014. Ocorreu em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, durante madrugada do dia e matou 242 pessoas, sendo a maioria por asfixia, e deixando mais de 630 feridos.

