O processo de anexação da Criméia à Rússia foi aparentemente um processo rápido e se encaminha as vias finais legais para ser oficializada. Porém quem não está aturando e discorda plenamente disto é a Ucrânia, que anunciou que lutará pela "libertação" da região e que esta "nunca será reconhecida" pelo país. A decisão foi comunicada pelo parlamento do país.
"A Ucrânia não vai parar em sua luta (contra) da libertação da Crimeia, por mais longa e dolorosa que seja", afirma a resolução, votada por iniciativa do presidente interino Olexander Turchynov.
"O povo ucraniano não reconhecerá nunca a anexação da Crimeia", completa o texto, que adverte que "as fronteiras foram modificadas pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial pela Rússia", que era avalista da soberania da Ucrânia desde que a ex-república soviética renunciou em 1994 ao arsenal nuclear.
Os deputados ucranianos também pedem à comunidade internacional a "não reconhecer a autodenominada república da Crimeia nem a anexação da Crimeia e da cidade de Sebastopol à Rússia".
A presidência ucraniana que está sob o comando do país desde que o presidente anterior foi deposto, anunciou mais cedo que o comandante da Marinha do país, Serguei Gaiduk, detido na quarta-feira pelas forças pró-Moscou na Crimeia, foi liberado nesta quinta-feira.
"Todos os demais reféns civis detidos pelos militares russos e os representantes das novas autoridades autoproclamadas da Crimeia também foram liberados durante a noite", afirma um comunicado. O contra-almirante Gaiduk havia sido detido quando as forças russas tomaram o controle do quartel-general da Marinha ucraniana em Sebastopol na manhã de quarta-feira.
Poucas horas depois, o presidente interino Turchynov deu "ao poder autoproclamado da Crimeia o prazo de três horas para liberar todos os reféns" e ameaçou adotar as "medidas adequadas" de represália. A Rússia por sua vez diz que defenderá os direitos dos russos que vivem na região anexada.
Em meio a tensões e troca de acusações, a disputa pelo território parece rumar a uma resolução bem menos intensa que se previa, sem o uso da força armada, utilizando manobras políticas, sejam elas contras ou a favor de opiniões dos grandes países da comunidade internacional. Em Moscou, o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, afirmou que a Rússia defenderá os direitos dos russos que vivem no exterior.
