Dono de um bar e restaurante na Rua da Consolação, Vanilson Jorge, de 44 anos, desistiu de decorar o bar e promover eventos durante os jogos da Copa do Mundo. "A gente estava pensando em decorar todo o restaurante e até alugar um telão, mas, infelizmente, não nos sentimos seguros em abrir. Certamente fecharemos durante a Copa", disse o proprietário. Ele contou que, ao saber do protesto desta quinta-feira, fechou as portas às 16h. "Só picharam a parede. Já perdi as contas de quantas vezes tive de limpar pichações depois de protestos". Lá fora, em lilás estava escrito "Não vai ter Copa".
A poucas quadras dali, o gerente de uma loja de lustres mostrava a grade de ferro que foi colocada na frente do vidro do estabelecimento para evitar o quebra-quebra. Normalmente, ela era posta em dias de protestos e retirada no dia seguinte, mas dessa vez, não deve sair tão cedo. "Colocamos a grade ontem e só vamos tirar depois da Copa", disse o gerente Donizete Moreira, de 58 anos.
Na manhã desta sexta-feira, 16, funcionários da concessionária Hyundai que foi quebrada e pichada por manifestantes ainda trabalhavam na limpeza do local. Três carros tiveram os vidros quebrados e as laterais amassadas, entre eles um Santa Fé que custa, segundo funcionário, entre R$ 175 mil e R$ 184 mil. Nenhum responsável pela agência quis, entretanto, dar entrevista sobre o ocorrido.
Para Rogério Amato, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o comércio atualmente vive um cenário de incertezas. "O mercado funciona na base da confiança. O comerciante compra o estoque ou faz uma mudança na fachada porque ele confia que terá um retorno. Mas em situações como essa (de manifestações com depredações), eles passam a não confiar mais". Segundo Amato, a orientação de maneira geral é que, no primeiro "sinal de bagunça", os comerciantes fechem as portas e se protejam.
Detidos.
Durante a manifestação de ontem, sete pessoas foram detidas e um adolescente apreendido. O adolescente foi encaminhado para a Fundação Casa e os sete detidos foram encaminhados para o 78° DP (Jardins) e liberados em seguida. Três deles tiveram de assinar um Termo Circunstanciado de desacato, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
