O primeiro capítulo seguiu a estratégia de ser didático, como manda a regra número 1 de apresentação de novela nova. Sob o pretexto da tecnologia que norteia o enredo, os principais personagens tiveram até seus nomes estampados na tela. Mas o excesso de informação para uma edição de 50 minutos, se tanto, conspirou contra a sedução da audiência.
A cena se abriu no Rio, com Thiaguinho apresentando o casal sensação da história, Jonas Marra (Murilo Benício) e Pamela Parker (Cláudia Abreu), no ensaio de uma coreografia à la Pulp Fiction. Corta para "três meses antes", na Califórnia. Vimos o sucesso mundial de Marra estampado nas capas das principais revistas do mundo e até uma imagem montada com o presidente Barack Obama. A trama central se salvou na compreensão do público, mas muitas outras figuras ficaram à mercê de um segundo ou terceiro capítulo e poderiam ter sido apresentadas mais tarde.
O ponto alto, como já era de se esperar, foi a parceria entre Lázaro Ramos e Luiz Miranda, o guru das estrelas e sua mãe, com toque de Michele Obama e uma elegância feminina - não de travesti, como alguns poderiam suspeitar.
Diálogos em inglês e rosas na banheira da ricaça Pamela foram compensados com o popular Thiaguinho, em participação especial, e forte presença de MC Guimê, rei do funk ostentação, que canta a música da boa abertura, ao lado de Emicida.
A necessidade de valorizar o tom hi-tech, no entanto, soou cansativa. Ao rememorar sua saída do Brasil em busca do sonho de todo nerd no Vale do Silício, Jonas Marra tem seu flash back (outra passagem de tempo) rabiscado por néons azulados, em sequência desfocada além da conta para o espectador. No conjunto da obra, o consolo é a percepção inicial de que a novela tenta driblar o vício do "mais do mesmo". Tomara. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
