As fotos foram feitas por um grande artista e um aventureiro, diz Wenders. E ele acrescenta - "Por alguém que ama o ser humano. E os homens são o sal da terra". A jornada - a viagem - se faz cronologicamente. E mostra como, depois de se afirmar como fotógrafo social, Sebastião descobriu o planeta e virou ambientalista. Para Juliano, o filme também é uma descoberta - a do pai como ser humano. Tantas vezes Sebastião ficou longe dele para realizar os grandes projetos em que se envolveu. O retrato é completo. Do homem, do artista, do cidadão (do Brasil e do mundo).
O Sal da Terra foi feito com recursos da Europa e do Brasil. Não são só o personagem e o codiretor que são brasileiros. Em Gramado, no ano passado, Betse de Paula exibiu outro documentário sobre o fotógrafo. Foi cobrada por sua visão que muitos chamaram de chapa-branca, ou por não haver interpelado Sebastião, que estetiza/cosmetiza a miséria. É a acusação que sempre se faz a ele. Em nenhum momento se levanta a questão com Juliano e Wim Wenders. O fotógrafo, diz Wenders, decompondo a etimologia grega da palavra, é alguém que escreve com a luz. Sebastião fotografou/fotografa o mundo como é, sonhando com o que pode ser. É um grande humanista e um homem fascinante. Faz observações precisas, transcendentes. Completam-se exatamente hoje - quarta-feira, 21 de maio de 2014, 30 anos da Palma de Ouro de Paris, Texas. A volta de Wenders, como documentarista, à Croisette, se faz em alto estilo. Os Salgado, pai e filho, não poderiam estar em melhor companhia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
