Weverton Bezerra, de 18 anos, é um dos que pretendem começar a faculdade em agosto. Apesar de jovem, ele já tem experiência no assunto. Tentou o vestibular de inverno como treineiro, em 2012, ainda no 2.º ano do ensino médio, e também no ano passado, já para valer. "Além de conhecimento, vestibular é maturidade. Agora será melhor porque já sei como funciona", diz Bezerra, candidato ao curso de Engenharia Mecânica na Unesp, única das estaduais paulistas que tem processo seletivo para o segundo semestre.
Na opinião de Bezerra, que já fez a prova da Unesp no meio e no fim do ano, não há diferença no nível de dificuldade entre as duas edições. O que muda é o clima para fazer o exame. Por um lado, os ânimos estão menos acirrados do que nos exames de verão, quando há mais inscritos. Por outro, os estudantes têm mais pressa de chegar à sala de aula. "Se passar, eu me matriculo. Não vou fazer mais seis meses de cursinho", afirma.
Instituições mais prestigiadas, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), são a prioridade da maioria, porém não de todos. Interessado em cursar Administração, Renato Chikitani, de 17 anos, conta que sua meta é a Fundação GetUlio Vargas (FGV), que abre 250 vagas para o segundo semestre. E, para o adolescente, o exame da FGV é até mais difícil do que a Fuvest, prova para entrar na USP. "Não passei nem na primeira fase. As questões de Inglês e de Matemática, que pendem para o lado financeiro, são mais complicadas", conta Chikitani, que também se inscreveu para o Insper.
Cautela.
A orientadora educacional do Cursinho da Poli Alessandra Venturi também não concorda que as provas de inverno sejam tarefa simples. "É um vestibular como qualquer outro. A quantidade de candidatos é menor, mas também diminui o número de vagas e cursos", aponta. Um conselho para quem tenta a prova agora, diz Alessandra, é buscar por conta própria conteúdos que ainda não foram vistos na escola, para aqueles que ainda estão no ensino médio, ou no curso preparatório, para os que se dedicam a uma revisão.
O que acontece, segundo a coordenadora do Curso e do Colégio Objetivo, Vera Antunes, é que na maioria das vezes os processos seletivos de inverno oferecem vagas em carreiras menos concorridas. "Outro problema é que tentam a prova de meio de ano alunos que não conseguiram bom rendimento no vestibular anterior, e eles acabam indo para cursos que nem queriam fazer", relata. "Só entrar na faculdade não leva ao sucesso profissional."
Teste.
Números de candidatos por vaga dão pistas sobre a concorrência, mas podem enganar. Emerson Conceição Júnior, de 20 anos, tentará o próximo vestibular, mas como treineiro, figura ainda mais fácil nas provas desta época. Sob pressão bem menor, o rapaz pretende se inscrever em Engenharia na Unesp com o objetivo de calibrar suas habilidades para a Fuvest, em que tenta Geofísica. "Mesmo aprovado, não vou me matricular no curso", garante ele, que usou a mesma estratégia no ano passado. "Quem presta no meio do ano consegue identificar as deficiências", aconselha.
