Seu presente de casamento foram duas canções que estão nesse emocionante CD: Morgen (manhã), até hoje seu lied mais famoso, que chegou a orquestrar posteriormente; e Cäcilie, sua mais ardente declaração de amor a Pauline. A voz límpida e afinadíssima de Simone Kermes é perfeita para este repertório intenso e refinado. Ela e o quarteto estão espetaculares.
Zueignung, ou Dedicatória, tem um buquê brahmsiano manifesto. Heimliche Aufforderung, ou Convite Secreto à Noite, termina com o verso "venha, maravilhosa noite desejada com tanto ardor!". Strauss deixou instruções expressas proibindo arranjos de suas obras, sobretudo os lieder. Em boa hora, sua bisneta Madeleine Rohla-Strauss, permitiu os arranjos de Zöllner, com certeza depois de ouvi-los.
Os dois lieder de Mahler são de sua juventude e giram em torno do amor, só que o espectro da morte já rondando, em contraponto à vida, que naquela altura ainda lhe falava mais alto. O arranjo de Onde Soam os Belos Trompetes, poema da antologia A Trompa Mágica do Menino, por exemplo, é antológico. Erinnerung (memória), de 1880, completa a parte vocal do disco.
Os dois quartetos com piano recebem do Fauré Quartett interpretações irretocáveis. O extenso - 37 minutos - quarteto de Strauss, escrito aos 21 anos, deve além da conta ao quarteto opus 25 de Brahms, literalmente citado nos compassos iniciais do Allegro. O movimento de quarteto de Mahler, composto aos 16 anos, e que dura 13 minutos, só tem interesse histórico: deve demais a outro quarteto de Brahms, o terceiro, em dó menor, que estreara um ano antes em Viena.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
