Ataque de Paulo Guedes às empregadas domésticas reforça elitismo do governo Bolsonaro

Ministro da economia participou do Seminário de Abertura do Ano Legislativo, em Brasília
Ministro da economia participou do Seminário de Abertura do Ano Legislativo, em Brasília
PorMarcos Henderson13/02/2020 12h54

As declarações recentes de Paulo Guedes sobre a alta no dólar, que chegou a atingir o valor histórico de R$ 4,35 na última quarta-feira (12), e R$ 4,38 nesta quinta (13), reforçam o que muitos já perceberam sobre o atual governo vigente no país: pobre não tem vez. Ao participar da cerimônia de encerramento do Seminário de Abertura do Ano Legislativo, em Brasília, o Ministro da Economia e braço direito do presidente Jair Bolsonaro passou dos limites ao dizer que "empregada doméstica estava indo pra Disney", em referência ao valor passado do câmbio.

"Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Vou exportar menos, substituição de importações, turismo, todo mundo indo para a Disneylândia. Empregada doméstica indo pra Disneylândia, uma festa danada", disse o ministro, abrindo espaço para se explicar em seguida, talvez por ter percebido que a frase traria consequências.

"Antes que falem: 'Ministro diz que empregada doméstica estava indo para a Disneylândia'. Não. Ministro está dizendo que o câmbio estava tão barato que todo mundo estava indo para a Disneylândia, até as classes sociais mais baixas", explicou Guedes, incentivando as pessoas a visitarem localidades brasileiras e mostrando que está em uma realidade completamente distante da maioria nacional quando diz: "Todo mundo tem que ir para a Disneylândia, conhecer um dia, mas não três, quatro vezes por ano, não é?". 

Não há dúvidas de que o Governo tem prioridades maiores do que quaisquer problemas relacionados à classe mais pobre brasileira, e isso é claramente refletido pelas medidas governamentais até então, a exemplo do Bolsa Família, que foi congelado nos 200 municípios com menor renda per capita do país, ou das exaltações ao presidente norte-americano Donald Trump, um bilionário opositor das minorias, que apesar de ter cortado o Brasil da lista oficial de países em desenvolvimento, foi elogiado por Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada, nesta semana.

O elitismo é óbvio, e tem fortes chances de ganhar ainda mais poder, com fortalecimento de laços cada vez mais próximos ao presidente, que dispara convites diretos para ocupação de vagas nos ministérios e diminui, a cada dia, o poder de voz da oposição, praticamente engolida pelos apoiadores do governo, em guerras cibernéticas marcadas pelo termo "fake news", considerado por diversos especialistas um dos principais alicerces da campanha de Bolsonaro, e atualmente utilizado à exaustão por bolsonaristas como argumento de batalha contra a imprensa e o povo. 

Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson