A segunda-feira (20) começou tensa nos Estados Unidos e consequentemente em vários países com a queda brusca do preço do petróleo americano. Pela primeira vez na história, a operação estava negativada, no menor nível histórico. O contrato do barril de petróleo americano WTI para maio, vence nesta terça-feira (21) e gerou grandes perdas.
Durante o pregão do dia, os operadores do mercado de energia livravam-se freneticamente dos seus contratos com vencimentos para o próximo mês. A queda é mais um fruto da fraca demanda mundial pelo produto diante da crise do novo coronavírus.
A queda história ocorreu na tarde de hoje, por volta as 15h58min quando o barril americano West Texas Intermediate (WTI) perdia 211,17% de seu valor e era negociado a -US$ 20,31 a unidade. O preço de terreno em negativo leva a produtores e investidores pagarem para que o produto seja estocado, em meio a um momento com capacidade de armazenagem limitada em todo país.
O mesmo ocorreu com o barril de Brent do Mar do Norte, que recuava 8,44%, a US$ 25,71 o barril, uma queda menor, porém significativa para o barril de referência do mercado europeu.
A forte redução na demanda pela commodity dificultou a venda dos papéis nesta tarde, isso porque a operação com contratos futuros geralmente é repassada com tranquilidade do contrato vencido para o próximo, entretanto, no período atual, poucos compradores estão disponíveis no mercado para arriscar uma ação com vencimento para maio.
Em entrevista a InfoMoney, Gabriel Fonseca, analista da XP Investimentos especializado em petróleo disse: “O preço negativo mostra que os produtores estão dispostos a pagar para ter seu petróleo estocado, num momento em que há uma grande oferta e uma demanda baixa”.
Vários países concordaram em diminuir a oferta de petróleo para diminuir tais efeitos, entretanto os cortes podem não ser feitos tão rapidamente para que se evite novamente o problema para as próximas semanas. Um pouco antes do início da crise do novo coronavírus no Brasil e nos Estados Unidos com as medidas de isolamento, Arábia Saudita e Rússia travaram um conflito em relação ao preço do petróleo. O acordo foi feito há algumas semanas, mas a produção apesar de reduzida ainda é alta em relação ao consumo atual.

