FaceApp rouba dados? Usuários relevam perigo do aplicativo e se divertem com memes

Transformações de rosto voltaram a bombar nas redes sociais e preocupam novamente especialistas
Transformações de rosto voltaram a bombar nas redes sociais e preocupam novamente especialistas
PorMarcos Henderson16/06/2020 11h35

Recentemente, foi iniciada a nova fase repentina de mudanças de rosto através do aplicativo FaceApp, mas entre as milhões de transformações virtuais de gênero possibilitadas por alguns cliques, a grande discussão sobre o assunto gira em torno do perigo por trás da plataforma, que utiliza provedores de serviços em nuvem de outras empresas, como Google Cloud Platform e Amazon Web Services para realizar o processamento das imagens enviadas pelos usuários. A lista de perfis com as transformações que provavelmente invadiram sua conta nos últimos dias é enorme, incluindo celebridades como Larissa Manoela, Selton Mello, Maisa, Tatá Werneck, entre outras.

A política de privacidade do FaceApp também não fornece sustentações claras sobre o que realmente acontece com os dados fornecidos pelo cliente, mas, ao que parece, uma parte do público já tem conhecimento das possibilidades e recomendações dos especialistas e as releva em prol do entretenimento, inclusive falando abertamente sobre isso nas redes sociais. 

O aplicativo, criado pela empresa russa Wirelless Lab, utiliza um sistema baseado em rede neural que faz uma breve análise dos rostos através da inteligência artificial e executa vários tipos de transformações, com uma condição: autorizar informações pessoais, entre elas, as mídias do aparelho. Esta é a principal causa de discussões dos especialistas, que alertam para a possibilidade de que o FaceApp tenha capacidade e/ou intenção de construir uma base gigantesca de dados, ou outros usos indevidos graças à abertura para manobras com os termos da política de privacidade. 

E os outros aplicativos?

Outra questão que também surge nas redes sociais e ganha destaque nesta terça-feira (16) é o acúmulo de dados dos usuários em vários outros aplicativos, principalmente pelo avanço das startups no mercado, que para o comentarista de tecnologia Stilgherrian, pode simbolizar um grande aglomerado de dados pessoais sem destino definido nas empresas. É válido ter a noção de que qualquer dado pessoal acompanhado de foto inserido em uma plataforma virtual pode estar sujeito a políticas indefinidas de privacidade, e alguns apps podem ser mais vulneráveis que os outros. 

Para o presidente da ONG de defesa dos direitos à privacidade Australian Privacy Foundation, David Vaile, a solução para não ter seus dados vinculados ao FaceApp é simples: "não use". Ele enfatiza a flexibilidade confusa da licença, que pode servir como provas positivas à empresa em um possível caso judicial. "Eles podem alegar que você permitiu que eles enviem para onde e quem eles quiserem". 

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Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson