Venezuela envia carta à ONU acusando Bolsonaro de "negligência criminosa"

O embaixador Samuel Moncada enviou a carta-denúncia para o secretário-geral da organização, António Guterres.
O embaixador Samuel Moncada enviou a carta-denúncia para o secretário-geral da organização, António Guterres.
PorBruna Pinheiro17/06/2020 13h41

Na terça-feira (16), o embaixador da Venezuela na Organização das Nações Unidas (ONU), Samuel Moncada, denunciou por carta o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido), por sua "negligência criminosa" com sua população em relação ao combate de COVID-19.

A carta foi enviada ao secretário-geral da organização, António Guterres, chamando Bolsonaro de irresponsável. Ao dar publicidade ao documento, Moncada disse: "A Venezuela denuncia o governo Bolsonaro nas Nações Unidas por negligência criminal diante de uma pandemia que põe em risco a vida de milhões de habitantes no Brasil e em todo o continente".

Durante as quatro páginas do documento, Moncada ainda relata os dados alarmantes do Brasil do novo coronavírus, com a proeminente quantidade de casos no país em relação aos dos demais países da América Latina: "[...] até 15 de junho, o hemisfério ocidental registrou mais de 3.841.609 pessoas infectadas, do qual a República Federativa do Brasil representa 22,13% do total". E continuou: "Em 15 de junho, por exemplo, toda a Venezuela registra um total de 3.062 casos confirmados, enquanto os dois estados fronteiriços do Brasil (Amazonas e Roraima) respondem por mais de 62.000 casos confirmados".

O embaixador chamou a atenção do secretário-geral para o que denominou de "algumas ações alarmantes do Governo do presidente Jair Bolsonaro": 1) Negação da severidade da pandemia; 2) Falta de uma política pública coerente para conter a pandemia; e 3) Ameaças ao multilateralismo.

"É doloroso ver como hoje ele está desperdiçando a oportunidade de liderar a luta para salvar milhões de vidas e, pelo contrário, está se tornando um gigantesco agente regressivo e destrutivo. Dessa maneira, hoje o Brasil é uma verdadeira bomba humanitária que põe em risco a saúde, o bem-estar e a vida de nossos povos", concluiu na carta.

A denúncia ainda não repercutiu na política doméstica, nem em um retorno por parte das Nações Unidas. A Organização das Nações Unidas já relatou alguns impasses com o governo brasileiro em relação a pandemia do novo coronavírus e os protocolos de medicamentos. Agora, em relação a ONU, o governo já relatou alguns desentendimentos, capitaneados pelo presidente e seu chanceler, Ernesto Araújo.

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Sobre o autorBruna Pinheiro
Internacionalista. Escrevo hoje sobre política, economia, filmes e séries. Adoro viajar e comer (não necessariamente nessa ordem). Segue lá @bpinheiro1