Judd Apatow acusa a China de 'bancar' censura de Hollywood no exterior

O diretor fez a afirmação após boicote ao filme 'Mulan', da Disney, em países asiáticos
O diretor fez a afirmação após boicote ao filme 'Mulan', da Disney, em países asiáticos
PorMarcos Henderson16/09/2020 14h04

Diante da reação negativa da China ao filme "Mulan", da Disney, motivada por questões ideológicas vinculadas às filmagens na província de Xinjiang, onde Pequim é acusada de violar direitos humanos, as discussões sobre censura voltam a ganhar destaque na mídia, sobretudo pelo suposto encobrimento do genocídio de uigures e outras minorias étnicas muçulmanas na região onde o longa-metragem foi gravado. Para o cineasta Judd Apatow, a China é diretamente responsável pela censura de Hollywood no mercado internacional. 

O diretor afirmou, em entrevista a Ari Melber, da MSNBC, que Hollywood possui um constante desejo de atingir todos os mercados internacionais, incluindo as bilheterias na China e na Arábia Saudita, mas que as pessoas precisam voltar sua atenção para o “tipo de censura corporativa” que acontece nos filmes quando são apresentados em países com conteúdo restrito, como a China, Arábia Saudita e Coréia do Norte.

Apatow é mundialmente conhecido pelas comédias e pela longa colaboração com a esposa Leslie Mann
Apatow é mundialmente conhecido pelas comédias e pela longa colaboração com a esposa Leslie Mann
Apatow é mundialmente conhecido pelas comédias e pela longa colaboração com a esposa Leslie Mann

“Muitas dessas entidades corporativas gigantes têm negócios com países ao redor do mundo, Arábia Saudita ou China, e eles simplesmente não vão deixar seus programas os criticarem", disse Apatow, também afirmando que a censura corporativa “fecha completamente o conteúdo crítico” sobre histórias importantes, incluindo aquelas que destacam questões de direitos humanos nos países mencionados.

Ele continuou destacando a China, observando que a capacidade do país de bloquear documentários investigativos e filmes que criticam o país e sua liderança gera uma grande preocupação. “Ao invés de fazermos negócios com a China e isso levar a uma China mais livre, o que aconteceu é que a China comprou nosso silêncio com o dinheiro deles”, destacou o cineasta, amplamente conhecido pelos filmes de comédia no currículo, como "Ligeiramente Grávidos" e "O Virgem de 40 Anos". 

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Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson