Segundo o IBGE, 10,3 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar grave

Em apenas cinco anos, a quantidade de pessoas em situação grave de fome aumentou em 3 milhões.
Em apenas cinco anos, a quantidade de pessoas em situação grave de fome aumentou em 3 milhões.
PorBruna Pinheiro17/09/2020 12h01

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (17) a Pesquisa de Orçamentos Familiares realizada em quase 58 mil lares brasileiros entre junho de 2017 e julho de 2018. Os dados mostram que quatro a cada dez família brasileiras não tem acesso regular e suficiente a comida em quantidade e qualidade suficientes.

Os dados da fome recuaram mais da metade em uma década no país, mas agora voltaram a crescer. Ao todo, em cinco anos aumentou em cerca de 3 milhões o número de pessoas sem acesso frequente à alimentação básica, chegando a soma de 10,3 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar grave.

A insegurança alimentar grave ocorre quando há redução quantitativa de alimentos entre todos os membros da família, adultos e crianças, com isso todos experienciam a fome. Quase metade dos famintos vivem nas Regiões Norte e Nordeste do país.

Fonte: IBGE
Fonte: IBGE
Fonte: IBGE

A fome é também mais presente em áreas rurais e infelizmente, além de classe social, a também possui recorte de raça e gênero. Os lares chefiados por mulheres e negros é onde a situação da fome é mais crítica, com recorte especial para a região Norte, onde mais da metade das pessoas não tem sua segurança alimentar garantida. 

"A fome na Amazônia é invisibilizada. Por não ser vista nem estudada com profundidade, acaba por ter suas características mascaradas. Além disso, as corporações transnacionais que estão presentes na região estão inseridas na dinâmica da produção de soja voltada para abastecer o comércio internacional e não efetivamente na produção e distribuição de alimentos", relata o professor Mário Tito Almeida, doutor em Relações Internacionais.

A pesquisa apontou que os principais alimentos das famílias em situação de insegurança familiar são cereais, arroz, feijão, aves e ovos. Outros produtos como frutas, verduras, legumes, refrigerantes e laticínios fazem parte da alimentação de grupos com alimentação segura. "[...] o aumento da Insegurança Alimentar refletiu diretamente apenas na aquisição de três grupos de alimentos específicos: os Cereais e leguminosas, as Farinhas, féculas e massas, e os Pescados. Vale lembrar que os maiores percentuais de IA grave foram encontrados na região Norte, onde o consumo de pescados usualmente é maior que em outras macrorregiões do país, provavelmente devido às questões geográficas e culturais", diz o relatório.

Além disso, o levantamento levou em consideração somente os moradores em domicílios permanentes, ou seja, vários grupos são invisibilizados no levantamento dos dados, como moradores de rua. 

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Sobre o autorBruna Pinheiro
Internacionalista. Escrevo hoje sobre política, economia, filmes e séries. Adoro viajar e comer (não necessariamente nessa ordem). Segue lá @bpinheiro1

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