Quino, criador de Mafalda, morre aos 88 anos

O cartunista argentino estava sob os cuidados dos sobrinhos em Mendoza desde a morte da esposa em 2017
O cartunista argentino estava sob os cuidados dos sobrinhos em Mendoza desde a morte da esposa em 2017
PorMarcos Henderson30/09/2020 14h18

Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino, morreu aos 88 anos de idade. O criador da personagem Mafalda estava sob os cuidados dos sobrinhos em sua terra natal, Mendoza, na Argentina, desde novembro de 2017, após a morte da esposa, Alicia Colombo.

Os pais de Joaquín Lavado eram espanhóis de Fuengirola (Málaga) e emigraram para a Argentina na década de 1930. A morte de seu pai o surpreendeu com apenas 14 anos, e ele temperou essa ausência com as aparições fantasmagóricas que ele acreditava ver de vez em quando. Mesmo depois de se casar com Alicia, o pai aparecia para ele, fumando, e olhava com orgulho para o cartunista porque o menino não tinha se saído tão mal. Quino costumava lembrar dessas visões: "Eram aparências muito agradáveis."

Joaquín decidiu ainda criança que seria cartunista. Aos três anos, quando um tio seu, designer gráfico, começou a fazer desenhos para eles e seus irmãos, para entretê-los, a vocação já havia despertado. Mais tarde, ele estudaria Belas Artes na Universidade de Cuyo, sem concluir o curso, apesar de ter absorvido uma série de conceitos básicos que lhe propiciaram evoluir cada vez mais.

O primeiro emprego como desenhista publicitário levou Quino a criar a Mafalda em 1962, graças às máquinas de lavar e frigoríficos. Ele foi contratado para fazer propaganda que consistia na preparação de histórias em quadrinhos para jornais em que a vida de uma família que usava eletrodomésticos Mansfield fosse mostrada em desenhos. E dessa sequência fonética surgiu o nome Mafalda.

Os jornais rejeitaram essa publicidade, por se confundir com seu próprio conteúdo, e os personagens criados por Quino para a missão permaneceram dentro de seu quarto, até que a ideia fosse resgatada em 1964, não mais comercialmente, e assim a tirinha de maior sucesso em língua espanhola apareceu no jornal de Buenos Aires Primera Plana, que mais tarde seria publicado em jornais de todo o mundo. Mais tarde, os livros que incluíam essas cenas venderiam milhões de cópias e seriam traduzidos para mais de 30 idiomas.

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Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson