"Se 'Nevermind' do Nirvana fosse lançado esta semana, não teria o mesmo impacto cultural", diz Butch Vig

O produtor disse também em entrevista que 'Billie Eilish fala por toda uma geração de jovens, da mesma forma que o Nirvana fez com seu momento zeitgeist'.
O produtor disse também em entrevista que 'Billie Eilish fala por toda uma geração de jovens, da mesma forma que o Nirvana fez com seu momento zeitgeist'.
PorCarol Souza28/10/2020 16h42

O produtor do icônico e emblemático álbum "Nevermind", Butch Vig, disse que duvida que a obra mais popular do Nirvana teria o mesmo impacto se fosse lançado hoje, enquanto ecoava os comentários de Dave Grohl de que Billie Eilish desfrutou de um "momento zeitgeist" semelhante.

O baterista e superprodutor do Garbage estava por trás da mesa produzindo álbum de 1991 dos ícones do grunge. No entanto, em conversa com a NME, Vig disse que o registro dos anos 90 poderia não ser capaz de se conectar da mesma forma na era do streaming.

"Acho que seria difícil repetir aquele momento zeitgeist", disse Vig à NME. "Se 'Nevermind' saísse esta semana, apesar de ser um grande álbum, não teria o mesmo impacto cultural. Foi um timing perfeito quando houve uma mudança na música e parecia uma revolução. Posso ver isso acontecendo de novo, mas não da mesma maneira". 

Em concordância com os comentários semelhantes ao do baterista Dave Grohl nos últimos anos, Vig continuou: "Eu vi algo semelhante com Billie Eilish. Sou amigo dela e do [irmão, produtor] Finneas e a mãe deles era professora de música da minha filha. Eles moram na mesma rua de nós. Billie fala por toda uma geração de jovens, bem como o Nirvana fez com seu momento zeitgeist".

Explicando como a paisagem cultural apresenta diferentes desafios para os artistas de hoje, Vig observou como é tão diferente o modo como a música é consumida agora.

"Tudo é tão instantâneo que é difícil construir um pouco de mística", disse ele. "Quando você realmente deseja algo, mas não consegue colocar as mãos nele, isso o torna ainda mais poderoso. Todos têm acesso a tudo hoje em dia. Talvez alguém apareça com uma banda que soa como Nirvana, mas um letrista que escreve como Bob Dylan e gosta de hip-hop e não tem Instagram ou Facebook".

E continuou: "Talvez eles façam alguns shows e desapareçam. Se o fizessem, as pessoas ficariam loucas porque iriam quere-los ainda mais. Se você sabe quem é, ligue para eles porque eu quero produzi-los!".

Além de discutir o novo álbum de seu projeto paralelo, 5 Billion In Diamond, Butch também falou sobre o que esperar do novo álbum do Garbage.

"Existem algumas músicas que têm referências ao Roxy Music, definitivamente", disse ele. "Algumas tem referências do Talking Heads. Eu sinto que a música é uma prima esquizofrênica do nosso terceiro álbum, 'Beautiful Garbage'. Cada música é uma peça independente. É bastante eclético. Existem cerca de quatro ou cinco canções lindas e sombrias, depois algumas mais chocantes. Nós passamos por algumas áreas sônicas que não exploramos antes, mas ainda soa como Garbage. Mesmo se tentássemos não soar como Garbage, ainda assim soaríamos".

Ainda sobre o novo trabalho, o produtor e baterista acrescentou: "É escuro e eclético. Muitas das letras de Shirley [Manson, vocalista] parecem muito prescientes, a propósito do mundo em que estamos agora. Ela podia ver esse bloqueio louco e toda a ocupação racial e a loucura da eleição". 

Intitulado "Divine Accidents", o álbum tem lançamento marcado para 20 de novembro, pela MAKE Records, com o Garbage vai embarcando em uma turnê pelo Reino Unido com Blondie no mesmo mês.

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Sobre o autorCarol Souza
Amante do cinema, dos livros e apaixonadíssima pelo bom e velho rock n'roll. Amo escrever e escrevo sobre o que amo. Ativista da causa feminista e bebedora de café profissional. Instagram: @barbooosa.carol