Governo cancela anúncio do Auxílio Brasil após reação do mercado

A instabilidade imediata na Bolsa de Valores, a disparada do dólar e outros fatores contribuíram para o Governo cancelar o anúncio oficial do programa nesta terça-feira (19)
A instabilidade imediata na Bolsa de Valores, a disparada do dólar e outros fatores contribuíram para o Governo cancelar o anúncio oficial do programa nesta terça-feira (19)
Marcos Henderson
PorMarcos Henderson

O mercado financeiro reagiu mal à indicação de que o presidente Jair Bolsonaro havia definido o valor de R$ 400 para o Auxílio Brasil, programa social criado pelo governo atual para substituir o Bolsa Família e gerar um cenário de concorrência para Bolsonaro nas eleições de 2022. A instabilidade imediata na Bolsa de Valores, a disparada do dólar e outros fatores contribuíram para o Governo cancelar o anúncio oficial do programa nesta terça-feira (19).

A situação atual no Brasil já percorre a instabilidade quando o assunto é a economia, devido aos problemas estruturais nas contas públicas, e a péssima reação do mercado é motivada principalmente pelos riscos de rompimento do teto de gastos. Como consequência veloz desta reação, há uma saída repentina de dólar do país e uma rápida desvalorização do real frente à moeda norte-americana. 

A perda de popularidade no governo Bolsonaro é o fio condutor para a tentativa de agilizar o lançamento oficial do Auxílio Brasil, que buscará medidas extremas para criar trâmites de longa duração enquanto remove o Bolsa Família, criando uma nova "bandeira" para assinar o principal auxílio social do país. 

Os recursos para o pagamento do Auxílio Brasil já tinham sido definidos, mas Bolsonaro tem plena noção de que só poderá ter alguma chance de recuperar a popularidade com um valor acima do esperado para o benefício, que era avaliado previamente em torno de R$ 300 pelo mercado. Bolsonaro está em busca de um valor populista, de cunho eleitoreiro. 

A principal estratégia do governo Bolsonaro era bancar o Auxílio Brasil com a reforma do Imposto de Renda, ainda em 2021, mas a proposta só foi aprovada na Câmara dos Deputados.