Quando a Copa do Mundo de 1994 começou nos Estados Unidos, a Seleção Brasileira carregava um peso enorme. O país que encantou o mundo com Pelé em 1958, 1962 e 1970 já acumulava 24 anos sem levantar a taça. As eliminações em 1974, 1978, 1982, 1986 e 1990 aumentaram a pressão sobre a equipe comandada por Carlos Alberto Parreira. Muitos torcedores ainda lembravam com tristeza da queda para a Argentina de Maradona nas oitavas de final do Mundial de 1990.
Antes mesmo da Copa, a classificação foi sofrida. O momento mais marcante aconteceu em setembro de 1993, quando o Brasil precisava vencer o Uruguai no Maracanã para garantir vaga no Mundial. Pressionado pela torcida, Parreira convocou Romário, que estava fora da equipe. O atacante respondeu com dois gols na vitória por 2 a 0 e se transformou no grande símbolo daquela campanha.
A dupla que decidiu a Copa
Nos Estados Unidos, Romário confirmou o favoritismo. Com cinco gols, o atacante foi eleito o melhor jogador do torneio.
Ao seu lado, Bebeto formou uma das duplas mais famosas da história da Seleção. Foi dele uma das imagens mais marcantes daquela Copa: a comemoração embalando um bebê após marcar contra a Holanda, homenagem ao filho recém-nascido, Mattheus.
Defesa sólida e Taffarel decisivo
Ao contrário de outras seleções brasileiras que encantaram pelo espetáculo, a equipe de 1994 se destacou pela eficiência. Taffarel transmitia segurança no gol, enquanto Dunga, Mauro Silva, Aldair e Jorginho formavam a espinha dorsal do time. O Brasil chegou à final sem perder nenhuma partida. Estreou vencendo a Rússia por 2 a 0, superou Camarões por 3 a 0 e empatou sem gols com a Suécia. Nas oitavas de final, eliminou os Estados Unidos por 1 a 0 em pleno 04 de julho, data da comemoração da Independência dos EUA.
Nas quartas de final, um dos melhores jogos daquela Copa ao derrotar a Holanda por 3 a 2. Nessa partida Bebeto marcou um dos gols e comemorou embalando o filho recém-nascido, em uma cena que se tornou símbolo do tetracampeonato. O jogo estava empatado em 2 a 2 quando o Brasil teve uma falta pela esquerda, aos 36 minutos do segundo tempo. O lateral Branco foi para a cobrança e soltou uma bomba de canhota. Mas o detalhe que ficou na memória foi o movimento do Romário, desviando da bola e enganando o goleiro holandês. Já na semifinal, um gol de cabeça de Romário garantiu a vitória por 1 a 0 sobre a Suécia e colocou o Brasil novamente em uma decisão de Mundial após 24 anos.
A final decidida nos pênaltis
No dia 17 de julho de 1994, Brasil e Itália fizeram uma final equilibrada no Rose Bowl, no calor absurdo de Pasadena. Pela primeira vez na história das Copas, uma decisão terminou sem gols e precisou ser definida nos pênaltis. Taffarel defendeu a cobrança de Daniele Massaro e viu Roberto Baggio, principal estrela italiana, chutar por cima do travessão na última cobrança.
O instante entrou para a história do futebol. "É tetra! É tetra!" A narração de Galvão Bueno se misturou às lágrimas dos jogadores e ao alívio de um país inteiro.
O título que recolocou o Brasil no topo
Mais do que conquistar a quarta estrela, a Seleção Brasileira encerrou um jejum de 24 anos e recuperou o protagonismo mundial. Aquele grupo liderado por Romário, Bebeto, Dunga e Taffarel devolveu ao torcedor brasileiro o orgulho de ser campeão do mundo e abriu caminho para a geração que conquistaria o pentacampeonato oito anos depois.
AMANHÃ NA SÉRIE
2002: Ronaldo supera as lesões, Rivaldo brilha e o Brasil conquista o pentacampeonato no Japão e na Coreia do Sul.
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