A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 deixou sentimentos mistos entre os torcedores. O desempenho esteve longe de encantar, mas também não pode ser considerado decepcionante quando se leva em conta a qualidade do adversário. Diante de um Marrocos organizado e acostumado a enfrentar grandes seleções, o Brasil encontrou dificuldades, especialmente no primeiro tempo.
Os primeiros 45 minutos foram equilibrados. Marrocos começou melhor e aproveitou o nervosismo brasileiro para pressionar a saída de bola. Casemiro e Lucas Paquetá, normalmente referências técnicas do meio-campo, erraram passes incomuns e encontraram dificuldades para controlar o ritmo da partida. O gol do Marrocos surgiu exatamente de um domínio errado de Paquetá recebendo um passe forte do Ibanez. Mazraoui lançou Saibari que avançou no meio dos dois zagueiros e na saída do Alisson, ele tocou por cima do goleiro. Com o passar do tempo, o Brasil conseguiu equilibrar as ações e respondeu no mesmo nível, em um período marcado por muita disputa física e poucas oportunidades claras. Bruno Magalhães disputou com o defensor marroquino, ganhou a disputa e lançou pro Vini Jr dentro da área. Em sua clássica jogada, ele cortou pra direita e chutou forte no canto oposto, sem chances pro Bono.
Apesar da pressão marroquina em alguns momentos, Alisson praticamente não foi exigido. Sua única grande intervenção aconteceu no final do jogo em um chute de longe do El Ayanaoui, ele deu rebote e disputou com o Amaimouni, corajosamente saindo nos pés do atacante marroquino.
No setor defensivo, o destaque ficou para Gabriel Magalhães. Seguro pelo alto e firme nos duelos individuais, o zagueiro foi o principal nome da retaguarda brasileira. Douglas Santos também teve atuação consistente e conseguiu neutralizar boa parte das investidas de Achraf Hakimi, uma das principais armas ofensivas de Marrocos, que apareceu muito pouco durante o jogo.
Os cartões amarelos recebidos por Casemiro e Ibáñez acabaram influenciando a estratégia de Carlo Ancelotti, que optou por substituí-los no intervalo. As mudanças deram mais segurança à equipe, mas diminuíram a capacidade de construção ofensiva.
Na segunda etapa, o treinador apostou na velocidade de Vinícius Júnior e Raphinha para explorar os espaços deixados pelo adversário. A estratégia, porém, produziu poucas oportunidades claras. Faltou justamente um articulador capaz de conectar o meio-campo ao ataque e abastecer Igor Thiago, que passou boa parte da partida isolado entre os defensores marroquinos.
Se o desempenho ofensivo deixou dúvidas, a atuação defensiva oferece motivos para otimismo. O Brasil enfrentou, o adversário mais complicado da fase de grupos e saiu do confronto sem ser superado. Em uma Copa do Mundo, onde os espaços são menores e os jogos naturalmente mais equilibrados, nem sempre uma estreia sem brilho significa um mau resultado.
A caminhada rumo ao hexacampeonato está apenas começando. E se a Seleção conseguir controlar melhor a ansiedade nos inícios das partidas e encontrar soluções para a criação de jogadas, há motivos para acreditar em uma evolução ao longo do torneio.
