A trajetória de uma seleção em um grande torneio costuma ser pavimentada por momentos de superação, e uma dose de drama. E nesta Copa o mundo do futebol se vê diante de um espelho histórico ao analisar o desempenho da Espanha. A mídia esportiva e os torcedores têm apontado semelhanças notáveis entre a atual campanha da Fúria e a conquista de 2010, na África do Sul, quando o país garantiu sua primeira e única conquista.
Há 16 anos, no Grupo H, a estreia contra a Suíça terminou em derrota por 1 a 0, em um jogo onde a Espanha dominou amplamente a posse de bola, mas foi castigada em um contra-ataque no segundo tempo. A recuperação veio com uma vitória por 2 a 0 sobre Honduras, com dois gols de David Villa, e foi selada com um 2 a 1 diante do Chile, com gols de Villa e Andrés Iniesta, garantindo a liderança da chave.
A fase eliminatória de 2010 consolidou o estilo de jogo pragmático e seguro da equipe comandada por Vicente del Bosque. Foram três vitórias consecutivas por 1 a 0 até a final. Nas oitavas, David Villa garantiu a classificação contra Portugal. Nas quartas, contra o Paraguai, um jogo dramático com pênaltis perdidos por ambos os lados foi decidido pelo oportunismo de Villa aos 82 minutos. Na semifinal, em uma reedição da final da Eurocopa de 2008, o zagueiro Carles Puyol subiu mais alto que a defesa da Alemanha para marcar de cabeça após cobrança de escanteio.
Em uma final tensa e de muita imposição física contra a Holanda, após um empate sem gols no tempo regulamentar, a decisão foi para a prorrogação. Aos 116 minutos, Iniesta recebeu passe de Cesc Fàbregas e chutou cruzado para decretar o 1 a 0 histórico, eternizando aquela geração do "tiki-taka".
Dezesseis anos depois, a história parece rimar. A atual seleção espanhola revive essa atmosfera de solidez defensiva e consistência competitiva, alcançando novamente a fase mais aguda do torneio de forma imponente. A expectativa em torno do elenco atual é gigantesca, impulsionada pelo futebol envolvente apresentado no torneio.
Assim como em 2010, quando nomes como Villa e Iniesta chamaram a responsabilidade, a equipe de 2026 conta com novos talentos capazes de decidir partidas em lances de genialidade. A discussão sobre quem assumirá o protagonismo na grande final ferve entre torcedores, que traçam paralelos entre os heróis do passado e as estrelas do presente.
Seja pela precisão tática ou pela capacidade de sofrer e vencer nos momentos de maior pressão, a Espanha de 2026 carrega em seu DNA a mesma essência que encantou o mundo na África do Sul. Resta saber se o desfecho desta nova página escrita na história da Copa do Mundo terá o mesmo final dourado de 2010.

